Em 2021, o país será o primeiro no mundo a faturar mais com vendas de comércio eletrônico que nas lojas físicas, prevê a eMarketer.

Conforme análise da eMarketer, empresa de pesquisa de mercado, em 2021, na China o varejo online supera as vendas tradicionais. Confirmada essa projeção, a China será o primeiro país no mundo a faturar mais com vendas de comércio eletrônico que nas lojas físicas. A estimativa é o comércio eletrônico chinês sustentar
52,1% do total movimentado pelo comércio varejista no país. Em valor, seria o equivalente a US$2,77 trilhões.É muito mais do que o projetado este ano para os Estados Unidos que ainda detêm o maior varejo do mundo. Em 2020, o varejo americano faturou US$5,50 trilhões, de acordo com a eMarketer. Desse total, as vendas online corresponderam a US$794,5 bilhões, pouco menos de 15%, taxa que coloca os Estados Unidos em sexto lugar no ranking de maior participação do ecommerce nas vendas gerais do comércio varejista no mundo.
O varejo chinês faturou US$5,13 trilhões no total em 2020, dos quais US$2,29 trilhões com vendas por comércio eletrônico (44,8%).
Segundo a eMarketer, até 2018 essa participação era de 29,2%.
Em 2010, a penetração das vendas online era praticamente a mesma nos dois países. De 4,9% nos Estados Unidos. E de 5% na China.
RAZÕES PARA A ACELERAÇÃO CHINESA
A eMarketer aponta cinco grandes fatores que impulsionaram o comércio eletrônico na China na última década.
1 Alibaba | O lançamento da plataforma “deu aos consumidores acesso fácil e confiável a quase tudo que se possa imaginar e entrega rápida para quase tudo”, aponta a empresa de pesquisa de mercado.
2 Sistemas de pagamentos digitais inovadores | “Alibaba’s Alipay e Tencent’s WeChat Pay estavam anos a frente dos concorrentes ocidentais em termos de acessibilidade, facilidade de uso e velocidade com que foram incorporados nas opções de checkout online”.
3 Varejo físico inflexível | “Uma cultura de venda inconveniente, não centrada no cliente – e muitas vezes conflituosa – ajudou a motivar os compradores a abraçar a confiabilidade direta do comércio eletrônico, especialmente a facilidade que ele oferecia para fazer devoluções e garantir reembolsos”.
4 Entrega de baixo custo | “Uma oferta quase ilimitada de serviços de entrega de baixo custo, fornecidos por milhões de trabalhadores migrantes da China, permitiu que empresas como a Alibaba e a JD.com fornecessem entrega no mesmo dia em qualquer lugar do país por apenas alguns centavos – um benefício muito atraente para compradores.” Especialmente para os que compravam pela primeira vez.
5 Mcommerce | “Graças ao estágio de desenvolvimento econômico da China e ao fato de que a maioria dos compradores pulou a era do PC e ingressou na era da internet diretamente por meio de dispositivos móveis”, atesta a análise.
ROTA AINDA EM CRESCIMENTO
A eMarketer projeta avanço da participação na China do varejo online ainda por, pelo menos, mais três anos. A estimativa é as vendas online na China atingirem US$3,56 trilhões em 2024, sustentando 58,1% do total esperado para o país.
Ainda que a consultoria destaque que algumas das condições que aceleraram o comércio eletrônico não se sustentem mais. Entregas rápidas a custo baixo é uma delas.
Isso porque os custos de mão de obra na China dispararam, colocando em xeque a política comercial de entregas em poucas horas por apenas alguns centavos, diz a empresa. “Da mesma forma, a experiência de compra em loja física melhorou drasticamente, talvez graças à concorrência do comércio eletrônico”, destaca a análise.
POSIÇÃO DO BRASIL
A eMarketer projeta para América Latina US$94,73 bilhões em vendas por comércio eletrônico em 2021, que corresponderia a 6,2% do total.
Em 2020, teria sido US$83,63 bilhões e 5,6% de participação do comércio eletrônico.
O Brasil deteria 42% do total das vendas online na região, o equivalente a US$35,12 bilhões. Volume que não coloca o país entre os dez maiores do mundo como chegou a figurar em meados da década.
PARTICIPAÇÃO GLOBAL
Nos gráficos abaixo, confira as projeções para a China no varejo online e percentual de participação de 2020 a 2024.
Também incluem ranking dos dez países com maior participação das vendas online sobre o total. Sabia que a Coreia do Sul detém a segunda maior participação?
Veja ainda os dez países com o maior faturamento de comércio eletrônico.