Mesmo com prejuízo no semestre e ambiente fortemente promocional em julho e agosto, empresa avalia que o pior ficou para trás.

Depois das dificuldades enfrentadas no segundo trimestre por conta da covid-19, a C&A enxerga o momento atual como de retomada. “Acho que esse pedaço (o segundo trimestre) já ficou para trás”, afirmou o CEO da companhia, Paulo Correa, a analistas de mercado em teleconferência de resultados. Ele reconhece
que a demanda tem sido sustentada pelas promoções, que ficaram mais fortes entre julho e agosto, devendo afetar o resultado do terceiro trimestre.Com estoques altos de inverno, Correa avalia que o varejo de moda tem a janela para vender os itens da estação até meados de setembro. Isso manteria o ambiente promocional, mas com margens menos pressionadas que no segundo trimestre no caso da C&A, afirma o executivo. Ele explica que os estoques em excesso da empresa eram menores que os da concorrência.
Além da aceleração digital, com a adoção de diferentes canais de venda integrados e a implantação de marketplace próprio, a C&A enxerga efeito da pandemia na área de produtos. De acordo com Correa, os ciclos de desenvolvimento e de produção ficaram mais curtos. “Fizemos isso desde a pandemia e acredito que essa história veio para ficar”, afirmou.
Como exemplo, ele cita a reativação da marca Mindse7 que lançou em 2018, com a proposta de liberar cápsulas semanais baseadas em tendências de consumo. O esforço tem sido no sentido de aumentar a oferta de produtos, com a disponibilidade deles nos diferentes canais. E, para isso, conta com maior aproximação com a rede de fornecedores para garantir essa agilidade. “No futuro, queremos ser mais exclusivos e mais velozes”, disse o CEO na teleconferência.
C&A ENXERGA SEMESTRE COM PREJUÍZO
Entre abril e junho, a C&A faturou quase 80% menos na comparação com o segundo trimestre do ano passado. No período, a receita líquida registrou R$294,5 milhões. O prejuízo líquido no trimestre assinalou R$192,1 milhões, ante lucro líquido de R$ 25,8 milhões realizado entre abril e junho de 2019.
Devido ao desempenho pré-pandemia, o semestre fechou com receita líquida em queda de 44,7%. Registrou R$1,27 bilhão, contra R$2,30 bilhões em receita nos primeiros seis meses de 2019. O prejuízo líquido alcançou R$247,4 milhões, ante o ganhos líquidos de R$777,2 milhões em igual período do ano passado.
O investimento no semestre somou R$78,8 milhões, dos quais R$31,2 milhões aplicados em projetos de TI. Já no segundo trimestre, a C&A investiu R$45,3 milhões.
A companhia avisou que dificilmente cumprirá a projeção de abrir 22 novas lojas em 2020. Entre abril e junho, inaugurou duas na Grande São Paulo. De modo que encerrou o semestre com 288 lojas em operação.