A companhia anunciou que vai descontinuar as coleções de primavera e férias, também adaptar o mix às variações do clima no inverno.
Com os resultados do segundo trimestre ficando abaixo das expectativas da empresa, a Cia Hering comentou o balanço financeiro reportando uma série de novidades. Depois de um primeiro trimestre de recuperação, de abril a junho a empresa viu a receita líquida cair 0,6%, para R$ 359,9 milhões, na comparação com igual período do ano passado. A desaceleração das vendas foi atribuída à falta de um inverno mais consistente nas regiões sul e sudeste, que respondem por 80% do faturamento.
A queda de quase 30% (29,9%) no lucro líquido do segundo trimestre refletiu não apenas as variações do clima. Os ganhos de abril a junho somaram R$ 40,6 milhões, que caíram em razão do declínio do resultado operacional. As despesas aumentaram por causa de rescisões trabalhistas, como as derivadas do fechamento da fábrica de Encano, em Santa Catarina. As operações dessa unidade foram absorvidas por outras plantas. “Alguns fatos que impactaram negativamente os resultados, não são recorrentes, como as rescisões trabalhistas”, destacou Fábio Hering, CEO da companhia aos analistas de mercado.
A empresa afirma permanecer otimista em relação ao segundo semestre e ao acerto da estratégia que adotou desde o final do ano passado. As vendas já teriam sido melhores em julho, por conta de mais dias frios.
MENOS COLEÇÕES ENTRE AS LIÇÕES DO INVERNO
Ao comentar o cancelamento das coleções de primavera e férias, Thiago Hering, COO (chief operations officer) da empresa, afirmou que não se deve pautar pelo número de coleções”. “A gente tem que atender as demandas e os insights do consumidor na ponta. E ele não nos pede coleções. Ele nos pede sortimento, soluções e portfólio de produtos que atendam suas ocasiões de uso e motivações de compras. Então, entendo que a reformulação do calendário de coleções não impacta em nada as nossas receitas. Muito pelo contrário, compatibiliza melhor nossa oferta de coleções aos anseios e demandas que o consumidor traz todos os dias às nossas lojas. Deve gerar mais receita com menos SKUs”, analisou o executivo em teleconferência com investidores.
Ele também afirma que a empresa teve “ótimas lições” com o inverno deste ano, que estão sendo incorporadas à coleção do outono/inverno 2020, que está em fase de planejamento. “Temos outras hipóteses para o storytelling da estação que não dependa só do clima”, acrescenta. Entre as possibilidades consideradas está a segmentação do portfólio por região, como uma do Rio para cima, e outra para o sul e o sudeste. Além da criação de categorias de produtos que “minimizem os riscos associados à sazonalidade”.
De acordo com o executivo, o período de liquidação do inverno deste ano já teve ajustes. “A gente conseguiu fazer um evento inteligente (de liquidação), focando na remarcação dos overtops, naquelas categorias que geram fluxo com a liquidação de inverno (tricôs, casacos e jaquetas). Por outro lado, preservando preços e margens nas demais categorias e de certa forma garantindo a saúde financeira da rede”, observou.
DESEMPENHO DAS MARCAS
No segundo trimestre, apenas a marca principal aumentou a receita bruta (4,8%). As demais registraram queda nas vendas. O recuo da rede Hering Kids foi de 1,1%. A Dzarm caiu 0,8% e a Puc encolheu 18,3%. O faturamento das 20 lojas do exterior despencaram 33%. A linha Outras, que inclui o outlet, desceram 26,2% em relação ao segundo trimestre de 2018.
A venda para multimarcas subiu 0,2%, basicamente pela ativação de novos clientes. Além da implantação de medidas, como a valorização da frequência de compras e não somente volume; e o lançamento recente de produtos exclusivos para esse canal.
Neste trimestre, o faturamento das webstore alcançou R$ 15 milhões, que representam 4% de faturamento. Registrou aumento de visitas e melhoria na conversão. Outra experiência em comércio eletrônico é a venda pelo Mercado Livre, que teve início em julho.
RESULTADOS DO SEMESTRE
De janeiro a junho, a Cia Hering anotou receita líquida de R$ 733,9 milhões, que corresponde a aumento de 3,9% sobre o primeiro semestre de 2018. Devido à forte queda dos ganhos no segundo trimestre, o lucro líquido dos primeiros seis meses somou R$ 87,4 milhões, 4,6% menor que igual período do ano passado.
Os ajustes na rede de lojas de varejo continuaram. A companhia fechou junho com 739 pontos de venda (incluindo os 20 do exterior), um a menos do que tinha em março. Mas 38 a menos que operava em junho de 2018. No segundo trimestre, foram fechadas 16 lojas e abertas 15 – sendo 12 Hering Store, uma Hering Kids e duas Basic Shop.
A partir de 2019, os balanços da Cia Hering não informam mais o número de lojas por bandeira. A exceção é o novo formato da Hering Store, o Basic Shop, que conta agora com quatro lojas, incluindo a aberta em agosto (portanto, terceiro trimestre), no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. As outras duas inauguradas no período estão localizadas nas rodoviárias das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo (no terminal Tietê).