Com nova operação, varejista de moda pretende reduzir o prazo de entrega dos produtos comprados online e cortar custos logísticos.

Em fevereiro, a Marisa abriu sua primeira dark store. Sem dar mais detalhes, Marcelo Pimentel, CEO da varejista de moda, disse em teleconferência de resultado que a nova operação funciona
no estado de São Paulo. A empresa optou pelo modelo de dark store no lugar de montar mini-hubs de distribuição dentro de lojas existentes. Por esse formato, pretende reduzir o prazo de entrega de mercadorias compradas online para cidades paulistas e da região sudeste, destacou o executivo.Também espera redução nos custos logísticos no ‘last mile’, quando faz a mercadoria chegar até os clientes. Diferentemente do CD tradicional, as dark store atendem canais digitais, são menores que os centros de distribuição e estão localizadas dentro de centros urbanos. Geralmente, têm o tamanho de uma loja, que opera de porta fechada para o consumidor.
No processo de digitalização das vendas, ao longo de 2020, além da dark store, a Marisa adotou outras tecnologias. Implantou o modelo ship from store (despacha compras online a partir de lojas) em cerca de 200 pontos de venda.
Ativou a função clique & retire para todas as lojas. Conforme a empresa, 30% das vendas digitais optam por buscar o produto na loja mais próxima do consumidor.
Está nos planos para o segundo semestre, abrir o próprio marketplace, a exemplo do que já outros grandes varejistas do segmento.
RESULTADOS
Pimentel ressaltou que o primeiro trimestre de 2021 foi impactado pela determinação de cidades de fechar o comércio não-essencial em março como maneira de reduzir o fluxo de pessoas pelas ruas e conter o avanço arrasador do contágio por covid-19 no país.
“Mas temos ótimos sinais acontecendo que nos levam a continuar com a estratégia original”, afirmou aos investidores o CEO da Marisa. Ele considera que a companhia está preparada para crescer quando houver a retomada da economia pós-pandemia.
O balanço financeiro do ano reflete o surto de covid-19. A receita líquida da Marisa em 2020 caiu 25,2% em relação a 2019. Anotou R$2,16 bilhões.
Mesmo o quarto trimestre que costuma ser um dos melhores do varejo apontou queda de 14,5% na receita líquida da varejista. Registrou R$769,26 milhões.
Sob pressão, as perdas aumentaram. O prejuízo líquido em 2020 foi a R$432,19 milhões. No quarto trimestre, o prejuízo foi de R$28,90 milhões.
As vendas digitais aumentaram consideravelmente mas como em outros varejistas de moda ainda representam uma fração pequena do total.
Na Marisa, corresponderam a 13,4% do total bruto faturado pela empresa em 2020, e 9,2% da receita do quarto trimestre.
Em 2020, a Marisa tinha 345 lojas, nove a menos do que operava em 2019.