Devido a efeitos não recorrentes, o lucro líquido da empresa chegou a R$ 1,23 bilhão em 2018, quase o dobro dos ganhos de 2017
Em teleconferência de resultados com investidores e analistas de mercado, a Riachuelo afirmou que ao longo de 2019 irá priorizar os investimentos em tecnologia. A intenção é acelerar a integração dos diferentes canais de venda, conhecer mais profundamente o perfil dos clientes, aumentar a conversão em vendas e o valor do ticket médio. Um dos projetos nesse sentido é a inauguração de uma loja especial, de 2,7 mil metros quadrados de área de vendas, no Morumbi Shopping, informou Oswaldo Nunes, CEO da companhia.
Prevista para o segundo semestre, a nova unidade contará com recursos tecnológicos para atrair a interatividade com o cliente dentro da loja e conseguir personalizar o atendimento. Segundo o executivo, mais detalhes serão divulgados no plano estratégico da companhia que está em fase de elaboração. “Posso afirmar que estamos otimistas com o futuro. Temos metas ambiciosas transformadoras da companhia”, disse.
LUCRO LÍQUIDO EXTRAORDINÁRIO
O lucro líquido consolidado da companhia que controla a varejista Riachuelo, a confecções Guararapes (que só serve ao grupo) e a financeira Midway totalizou R$ 1.012,1 bilhão apenas no quarto trimestre, 209,5% maior que os R$ 327 milhões anotados em igual trimestre de 2017. No acumulado do ano, o lucro líquido subiu a R$ 1,23 bilhão, 116,7% acima do reportado em 2017.
O resultado foi influenciado, explica a companhia, por efeitos não recorrentes como a retirada do ICMS da base de cálculo do PIS e do Cofins. Não fosse isso, o lucro líquido teria crescido 58,9% no último trimestre, totalizando R$ 274,5 milhões. Dessa forma, os ganhos consolidados do ano aumentariam 45,2% para R$ 498 milhões.
A receita líquida de 2018 aumentou 11,6%, tendo atingido R$ 7,19 bilhões. No quarto trimestre, a expansão foi de 8,1% sobre igual período de 2017, assinalando R$ 2,18 bilhões.
De janeiro a dezembro, a Guararapes produziu 43 milhões de peças para a varejista, que corresponde a aumento de 7,9% sobre o volume confeccionado em 2017.
DESEMPENHO MAIS FRACO NO QUARTO TRIMESTRE
Nunes afirma que a empresa não ficou satisfeita com o crescimento das vendas no quarto trimestre. Isso porque o resultado não refletiu o índice de confiança do consumidor que havia se recuperado com a expectativa do novo governo. E culpa decisões internas no abastecimento das lojas no final de ano, que causaram ruptura de estoques. Alguns pontos de venda ficaram com sobras de determinados itens e outros sofreram com a falta de alguns produtos, disse.
A partir de janeiro foram tomadas providências para resolver o desequilíbrio, com a previsão de normalizar o fluxo de mercadorias para as lojas até este mês de abril.
DESAFIO DO ECOMMERCE
Para Nunes, outro desafio em 2019 será continuar a expandir as vendas no comércio eletrônico “de forma saudável e melhorando as margens”. A preocupação é o peso do custo do frete, que pode ser amenizado com o avanço da omnicanalidade dentro de uma rede tão capilarizada como a da Riachuelo, avalia.
A varejista concluiu 2018 com 312 lojas em operação, dez a mais do que tinha em 2017. Foram abertas 11 unidades, oito das quais no quarto trimestre, e encerrada uma operação.
Com investimento anual de R$ 385,7 milhões, a Riachuelo destinou boa parte dos recursos à reforma de lojas, aproveitando o ritmo mais lento de abertura de pontos de venda.