Em dois anos, essa participação pode crescer para 50%, estimam os especialistas
Ao desembarcar de viagens à Europa e aos Estados Unidos, os caçadores de tendências do mundo do jeans foram unânimes em afirmar que peças resinadas dão o toque moderno das coleções. A tendência é que os modelos com esse tipo de acabamento ganhem ainda mais espaço nas coleções do próximo ano. Resinas em diferentes formas e aplicações.
Fabricantes de produtos químicos confirmam a tendência de alta do consumo. Eles calculam que, hoje, de 20% a 25% da produção brasileira usa algum tipo de resina em calças, saias, bermudas, jaquetas, minissaias, shorts. Esse volume equivaleria a um intervalo entre 7 milhões e 9 milhões de peças resinadas por mês, de acordo com dados do GBLjeans Pesquisa. Mas, os especialistas divergem sobre a expectativa de consumo. As previsões avaliam que o mercado tem potencial para absorver resina em 30% a 50% das peças produzidas no país nos próximos dois anos.
A variação é grande, mas revela um mercado promissor. Se metade da produção atual de jeans usasse o equivalente a 5% de resina por quilo de peça, a indústria química teria diante dela potencial para vender 510 toneladas em resinas por mês.
Expansão
As vendas de resina aumentaram desde o final do ano passado, tanto para a indústria têxtil que passou a oferecer tecidos resinados de fábrica, como para as lavanderias industriais que viram aumentar a procura por acabamentos denominados de coats, lembra Emanuel Santana, responsável técnico pelo segmento de lavanderias industriais, beneficiamento de jeanswear e acabamentos têxteis para denim da Clariant.
Mas é o segmento de lavanderia que tem movimentado a concorrência. Em dois anos, a NEWCo viu a venda de resinas quase triplicar. Saltou de 5 toneadas no ano inteiro de 2005, para a marca atual que varia de 12 a 14 toneladas por mês, calcula Amauri Marengoni, diretor da empresa.
“A resina apresenta grande utilização há um ano na Europa. No Brasil, acredito que no verão e no inverno de 2008 o uso será mais intenso”, analisa Nelson Takeshi Enomoto, coordenador da área de lavanderias industriais da Texpal. Segundo o executivo, só a nova linha de resinas – que combina dois tipos – para fazer o bigode arrendodado, um dos lançamentos mais recentes da empresa, responde pela venda de 20 toneladas por mês.
A Splashcor é outra fabricante animada com as vendas. No ano passado, a empresa lançou duas resinas. Entre as duas, vendeu 20 toneladas ao longo de 2006. Com o impacto do lançamento de mais duas resinas no início deste ano, Celso Comisso, diretor da Splashcor, prevê triplicar neste ano os resultados de 2005.
Também a Garmon, que desembarcou no mercado brasileiro há dois anos, registrou aumento das vendas. “Se vendíamos uma tonelada por mês, passamos a vender 8 toneladas. A expansão foi nessa proporção”, garante Henrique Leite, diretor da Garmon Sul América.
Preços inalterados
Aparentemente, o aumento do consumo e da concorrência não refletiu nos preços. “Com o aumento da oferta, o preço tende a cair. Mas, por enquanto, não houve mudanças drásticas”, explica Eduardo Fernandes, gerente de vendas da AGS. O preço varia bastante dependendo do tipo de aplicação a que se destina, oscilando de R$ 6,00 o quilo, da resina mais básica, até R$ 20,00 o quilo das mais sofisticadas.
As lavanderias ampliaram a produção. “Em 2005, fazíamos de 5 mil a 7 mil peças resinadas por mês. Hoje, esse número chega a 70 mil peças mensais”, conta Fernando Borin, gerente comercial da Dinâmica Lavanderia. A empresa processa em média 250 mil peças por mês.
A Lavanderia Universo, que produz 30 mil a 50 mil peças por mês, também registra aumento na aplicação de resinados. “Até o ano passado, eram feitos cerca de dez modelos por coleção com resina. Agora, dentro de apenas uma linha de uma coleção chega a ter 38 modelos resinados”, compara Suzana Sfredo, dona da lavanderia. Em função, do crescimento da demanda, a empresa comprou forno e estufa.
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