A persistente alta do dólar conteve as compras brasileiras desde o ano passado, que ficaram ainda mais comprimidas pela covid-19.

O acumulado do ano até julho mostra que a importação têxtil cai 20% no período, aprofundando a redução iniciada em meados do ano passado. A combinação de cotação persistentemente alta do dólar (acima de R$5) com a pandemia de covid-19 enfraqueceu as compras brasileiras. De acordo com o levantamento realizado pelo GBLjeans, com base no sistema de controle do comércio exterior do governo federal, o país importou
US$2,55 bilhões de janeiro a julho, recuo de 20,83% sobre o mesmo período de 2019.Desse total, em sete meses, a China forneceu o equivalente a US$1,53 bilhão. Assim a importação têxtil cai vinda da China. Representa 13% a menos que o enviado de janeiro a julho para o Brasil no ano passado.
A exportação continua incentivada pelas vendas de algodão. Cresceu 25% no acumulado do ano, somando US$1,87 bilhão sobre os primeiros sete meses de 2019. Por isso, são os países importadores do algodão brasileiro que aparecem como os principais destinos. O maior deles é a China, que comprou US$384,82 milhões. Em segundo lugar, o Vietnã que praticamente dobrou as aquisições, com US$233,71 milhões no período. E em terceiro lugar, a Turquia que recebeu US$192,89 milhões do Brasil, tudo em algodão.
A VARIAÇÃO MENSAL
Embora ainda negativa, a variação da importação têxtil como um todo desacelerou a queda em julho. Diminuiu 0,24% sobre junho, e registrou US$264 milhões em negócios no mês. Mas sobre julho de 2019, a redução fica próxima dos 40%. A maior parte dos importados veio da China, que forneceu US$152 milhões em julho, mostrando dois meses em declínio. O segundo maior fornecedor do Brasil no mês é o Paraguai, mas com participação muito menor que a chinesa. O país vizinho enviou US$23 milhões.
Já a exportação têxtil interrompeu em julho cinco meses em queda, mostra o levantamento. O Brasil exportou US$166,13 milhões no mês, subindo 15,53% sobre junho e 7,78% na comparação com julho de 2019. A maior parte corresponde aos embarques de algodão. No mês, o maior comprador foi o Paquistão, que rendeu US$23,66 milhões, dez vezes mais o valor adquirido em julho do ano passado (US$2,1 milhões).
IMPORTAÇÃO DE ROUPAS CAI
A comparação dos primeiros sete meses de 2020 com o ano passado mostra a importação de roupas em baixa. Recuou 29%, anotando de janeiro a julho compras avaliadas em US$722 milhões. Da China, o Brasil importou US$433 milhões.
No mesmo confronto, a exportação de roupas diminuiu 28%, registrando US$58 milhões em vendas no período. O Paraguai continua como principal parceiro comercial do Brasil em 2020, tendo comprado quase US$11 milhões em roupas nacionais. Esse valor representa praticamente metade do volume adquirido de janeiro a julho de 2019 pelo Paraguai.
O movimento de julho demonstra, no entanto, variação mensal positiva. Com US$70 milhões, a importação de roupas cresceu 38% sobre junho. Já a exportação de vestuário avançou 26%, mostrando reação pelo terceiro mês seguido, e atingiu US$8,6 milhões.
A comparação com julho de 2019 assinala variação negativa em roupas, tanto de importação (-42%), quanto de exportação (-28%).
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