Mês foi difícil para o setor de roupas e tecidos, como foi para todos os setores da economia brasileira, com exceção de agropecuária, a única atividade que abriu vagas.
Não foi um abril fácil para o nível de emprego brasileiro. As empresas do país demitiram quase 98 mil trabalhadores, sendo que pouco mais da metade representa cortes efetuados pela indústria de transformação. O saldo do emprego industrial ficou negativo em 53.850, registrou o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), cujos resultados foram apresentados na sexta-feira, 22 de maio. Apenas o setor de roupas e tecidos foi responsável pelo corte de 7.913 vagas no mês, incluindo o saldo das indústrias têxtil e de vestuário, do comércio varejista e de atacado.
No primeiro trimestre, a indústria têxtil e de confecções contratou em janeiro e março, com leve declínio em fevereiro. Voltou a cortar postos de trabalho em abril com impacto significativo. O saldo consolidado dos dois segmentos ficou negativo em 5.149 vagas, informa o Caged. Comportamento oposto ao exibido no mesmo mês dos últimos três anos. Embora o corte tenha sido geral, São Paulo respondeu pela maior parte das demissões, encerrando o mês com 1.586 vagas a menos. Paraná vem em seguida, com fechamento de 825 postos, e Santa Catarina, com menos 792. Dos seis estados que contrataram, a contribuição mais forte veio da Paraíba com aumento de 122 vagas e do Rio Grande do Sul, com mais 91.
Como aconteceu em 2014, o varejo brasileiro não parou de enxugar o quadro de pessoal desde janeiro. O que muda é a proporção do corte em relação ao ano anterior. Em abril, o segmento encerrou 2,5 mil vagas, quando em abril de 2014 foram apenas 50 vagas cortadas. Novamente São Paulo lidera o enxugamento, ficando o estado com saldo negativo de 801 vagas. Depois aparece Bahia (-289) e Minas Geais (-263). Sete estados contrataram, mas, não em volume suficiente para reverter o quadro: Paraná aumentou a oferta em 152 postos, enquanto Distrito Federal e Mato Grosso aumentaram cem vagas cada um.
O comércio atacadista reduziu o quadro em 87 postos, exibindo comportamento diverso ao apresentado em igual mês dos últimos três anos. São Paulo cortou 80 vagas; Rio Grande do Sul ficou com menos 46; e Minas Gerais, com menos 27. Quatro estados permaneceram estáveis e outros seis contrataram. Santa Catarina aumentou o quadro empregado em 50 vagas; Goiás, mais 47; e Rio de Janeiro, mais 45, mostra a pesquisa do Caged.