Dólar segura a inflação da indústria no mês que o país produziu mais roupas e menos têxteis.
A desvalorização do dólar ajudou a conter o ritmo forte da inflação da indústria e os preços industriais desaceleram em maio. A inflação da indústria como um todo avançou 1% sobre abril. Da têxtil
variou 0,08% para cima, enquanto os preços de atacado do vestuário subiram 0,57% no mês.Conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em maio, o real se valorizou 4,9% em relação ao dólar americano. “Como resultado, vários produtos avaliados em dólares caíram de preço”, explicou o gerente do IPP (Índice de Preços ao Produtor), Manuel Souza Neto, na divulgação dos resultados da pesquisa que calcula o indicador.
Ainda que os aumentos tenham perdido força, o acumulado do ano até maio indica que os fabricantes têxteis reajustaram os preços em 12,50% em relação a igual período do ano passado. Malha e tecidos sintéticos tiveram os maiores aumentos.
As roupas negociadas no atacado ficaram 8,29% mais caras que de janeiro a maio de 2020, puxadas por artigos como camisas e blusas, mostra a pesquisa do IBGE.
Os preços industriais como um todo registram inflação de 17,58% no acumulado do ano.
MAIS ROUPAS PRODUZIDAS
Desde fevereiro que a produção de roupas está em queda. O resultado de maio quebra essa sequência de variação negativa. Avançou 6,2% no mês.
Foi a segunda atividade que mais ampliou o ritmo, perdendo apenas para produtos farmacêuticos (8%), mostra a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE.
Ao contrário, a produção de artigos têxteis não para de enfraquecer desde janeiro, ainda que os preços industriais tenham subido no período.
Em maio, caiu 6,1%, sendo a segunda atividade que mais caiu. Só não foi pior que a indústria de impressão e reprodução de gravações (-11,1%).
A indústria como um todo produziu mais 1,4% em relação a abril. Conforme explicou André Macedo, gerente da pesquisa, em comunicado, o aumento não foi suficiente para reverter os três meses de queda (de fevereiro a abril).
No acumulado do ano, contudo, a comparação com o fraco resultado de janeiro a maio de 2020 aponta para alta acumulada de 36,6% na produção de roupas e de 36,3% na fabricação têxtil.
A indústria como um todo acumula crescimento de 13,1%.