Com os dados do Caged de dezembro, é possível fazer um balanço parcial do ano, mostrando que a indústria foi a atividade que mais demitiu
O ano não foi bom para o emprego formal no setor têxtil e de vestuário. Se ao longo de 2018, o Brasil criou 529 mil vagas com carteira assinada, como mostram os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados esta semana, o setor como um todo (incluindo indústria e comércio) eliminou quase 31 mil postos de trabalho. Entre janeiro e dezembro, conforme as informações publicadas mensalmente, foram perdidos 30.941 empregos.
Desse total, a indústria têxtil e de confecção de vestuário respondeu pelo fechamento de 27.609 no ano inteiro, dos quais 20.126 apenas em dezembro, mês historicamente ruim para a indústria de transformação. Assim a atividade encerra o ano registrando nove meses consecutivos de redução na sua força de trabalho. Apenas no primeiro trimestre, a indústria têxtil e as confecções mais contrataram que demitiram. Tomando por base a Rais de 2017, o segmento começa 2019 com cerca de 800 mil empregados. Desde 2011, quando tinha 1,02 milhão de pessoas trabalhando, a indústria têxtil e de vestuário vem ano a ano reduzindo o número de colaboradores.
Em 13 estados, os números ficaram positivos para o trabalho na indústria de produtos têxteis e roupas em 2018. No balanço anual, a indústria do Mato Grosso foi a que mais abriu vagas formais, com carteira assinada. Foram 380 vagas criadas entre janeiro e dezembro. Em sentido inverso, 14 estados fizeram cortes grandes. A indústria paulista foi a que mais cortou em 2018, ficando com 9,7 mil funcionários a menos do que tinha em 2017. Nesse mesmo confronto, o Paraná deixou saldo negativo de 4,6 mil empregos; Santa Catarina eliminou 4,4 mil postos; e Minas Gerais fechou 3,3 mil vagas.
REDUÇÃO MENOS DRÁSTICA NO COMÉRCIO
O balanço parcial do ano mostra redução do nível de emprego também no comércio. Só que menos drástica. O varejo brasileiro encerrou o ano com 3.207 vagas a menos do que quando começou 2018, tendo operado em baixa até agosto. A partir de setembro aumentou as contratações até o pico em dezembro de 15.003 vagas abertas no mês. As lojas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram as principais responsáveis pelas contratações de dezembro. O varejo chega a 2019 com cerca de 660 mil funcionários contratados.
As outras 125 vagas perdidas em 2018 foram eliminadas pelo comércio atacadista. O segmento variou de seis meses com contratações em alta com outros seis meses em baixa. Tradicionalmente ruim para o emprego na atividade, dezembro registrou 644 a menos do que novembro, segundo os dados do Caged. Começa 2019 com 36,2 mil empregados, tomando como base a Rais de 2017.