Marca quer vencer a frustração de mulheres que não encontram modelos inclusivos.

Com apenas dois anos no mercado, a AMD Moda Feminina desenha a expansão dos negócios. Até o final do ano, a intenção é abrir a segunda
loja de varejo. Será na cidade do Rio de Janeiro, que depois de São Paulo é o principal mercado da marca que mantém grade inclusiva que vai do 36 ao 52 para todos os modelos que desenvolve. Em outra frente, a AMD planeja jeans para corpos reais, com curvas principalmente, para oferecer o mesmo arco de tamanhos.O aporte de R$120 mil de um investidor anjo que acaba de receber servirá para expandir o volume de produção, que é própria e, hoje, gira em torno de 600 peças por mês, conta Amanda Santos. A jovem de 28 anos criou a AMD em 2020 para ser inclusiva, da amplitude de tamanhos ao perfil das mulheres que atende.
Amanda explica que o público da marca são mulheres que vivem em bairros de periferia das capitais, das classes C, D e E, de 18 a 35 anos. “São mulheres com corpos reais, vidas reais, que trabalham, estudam, têm filhos, cuidam da família, querem sair, se divertir e serem aceitas como são. Acordam muito cedo para ir trabalhar, dormem muito tarde. E isso acaba também refletindo no estilo do corpo delas”, salienta a empresária.
EXPANSÃO
Ela reconhece que a oferta de linhas plus size tem aumentado no Brasil. Mas que o diferencial da AMD Moda é trabalhar a aceitação e a jovialidade. “Mostro para elas que não precisam se encaixar em nenhum molde. São roupas para servir nelas e que elas se sintam bem. Hoje meu propósito é esse. Se essa mulher quiser emagrecer porque ela se sente bem, ok. Mas se ela está bem com o que ela é, pode ter uma roupa autêntica e ousada, para mostrar o corpo”, afirma.
O aporte recebido permitirá ainda a expansão da grade até o tamanho 60, conta Amanda. A confecção localizada no Canindé produz modelos feitos de tecidos planos e malha.
Devido ao tamanho da produção atual, a AMD vende apenas diretamente ao varejo. O maior canal de vendas é o ecommerce. Também conta com uma loja de varejo na capital paulista. Inicialmente, a loja foi aberta em Arthur Alvim, bairro da zona leste de São Paulo. Mas Amanda decidiu fechar esse ponto para abrir uma loja no centro da cidade a fim de facilitar o acesso das clientes que preferem ir até uma loja física.
SEM FRUSTRAÇÃO
Para complementar o mix, a AMD Moda vende jeans de outras marcas que trabalham também com modelos de tamanhos maiores. O plano de ter jeans com a própria marca ficará para mais tarde, comenta.
“O modelo de jeans que eu quero desenvolver é algo diferente do que tem no mercado”, assegura Amanda. O plano é ter o mesmo modelo disponível para toda a grade. A modelagem passa pela cintura mais alta para atender mulheres com quadris largos, coxas grossas e cintura fina, sem que precisem comprar um número maior e mandar ajustar o cós, por exemplo, comenta.
“Eu mesma tenho essa estética de corpo, eu entendo super bem. Por isso eu tenho pouco jeans. E tenho certeza que existem milhares de outras mulheres que se sentem assim, não representadas. Muitas têm essa frustração”, ressalta.