No primeiro ano da fusão Arezzo&Co e Soma, porém, as emissões totais sobem com fornecedores dominando a pegada do grupo

Ao publicar o segundo Relatório de Sustentabilidade com os dados de 2025, a Azzas 2154 apresentou um duplo sinal ao mercado. No primeiro ano da fusão dos grupos Arezzo&Co e Soma, a companhia consolidada reduziu em 32,4% as emissões diretas de gases de efeito estufa, relativas aos Escopos 1 e 2, na comparação com 2024. No entanto, elevou o inventário total para 544,7 mil tCO₂ emitidas em 2025.
Neste ano, o aumento não representa retrocesso. Reflete o maior rigor na mensuração, devido à ampliação do mapeamento do Escopo 3, ligado à cadeia de fornecedores que, como na maioria das companhias, concentra a maior parte da pegada de carbono. No caso da holding, o escopo 3 responde por cerca de 85% das emissões.
As emissões diretas — Escopos 1 e 2 — estão ligadas às operações próprias da companhia, como o consumo de combustíveis em fábricas, centros de distribuição e frota, além da eletricidade utilizada nas unidades. Entre as medidas que geraram o corte de emissões, o relatório aponta a migração das fábricas de calçados, da Hering e dos centros de distribuição para o Mercado Livre de Energia, usando matriz energética 100% renovável e rastreada por I-RECs (Certificados de Energia Renovável).
Como a Hering opera com uma estrutura fabril verticalizada, a migração de suas unidades para o novo modelo energético gerou impacto proporcional maior do que a estrutura da Arezzo, que é baseada principalmente em fornecedores externos.
A meta de descarbonização para 2030 aponta para redução de 42% das emissões dos escopos 1 e 2. Para 2050, a ambição é ser companhia Net Zero ao reduzir 90% das emissões entre os três escopos.
MENOR IMPACTO
Em 2025, a Azzas 2154 atuou com 21,8 mil colaboradores, 2.063 lojas, 13 fábricas próprias e 15 centros de distribuição. “Temos avançado de forma consistente na estruturação da estratégia climática e na incorporação dos princípios da economia circular, com foco na gestão de emissões, eficiência no uso de recursos e evolução da cadeia de valor”, declarou em comunicado de imprensa a head de sustentabilidade do Azzas 2154, Suelen Joner.
Entre as iniciativas na direção do que chama de pilar de Moda mais limpa e responsável, a companhia aponta o lançamento do Guia de Matérias-Primas Responsáveis, que passou a orientar a escolha de insumos de menor efeito ambiental negativo ou de impacto social positivo como referência para equipes internas e para fornecedores.
Também destaca a certificação Gots para algodão orgânico obtida pela Farm Rio por meio da coleção High Summer 2025.
Como parte da gestão climática, a Azzas 2154 salienta que incorporou métodos científicos de análise de riscos e cenários até 2050, de maneira a orientar decisões operacionais, financeiras e de longo prazo.
Na circularidade, a iniciativa Off for Future é apontada como exemplo. Criada em 2025, a linha usa sobras têxteis para gerar produtos que serão comercializados na rede de lojas de moda Off Premium do grupo. Nessa fase inicial, reaproveitou 26,5 mil rolos de tecido, que deram origem a 51 mil novos produtos e evitaram o descarte de cerca de 10 caminhões de material, afirma a companhia.
RESPONSABILIDADE SOCIAL
A Azzas 2154 destinou R$11,2 milhões em 2025 a projetos sociais, aponta o novo relatório de sustentabilidade. Contribuiu tanto para programas liderados pela ONU, como para projetos locais citanto Gerando Falcões e Costurando Sonhos. Também investiu recursos nas próprias ações.
É o caso do 1P=5P, da Reserva, que completará 10 anos em 2026, direcionando parte das vendas para o combate à fome. No ano passado, o programa distribuiu 31,4 milhões de pratos de comida, informa o relatório.
Cita, ainda, o programa Animale Vintage que incentiva as clientes a levar às lojas peças usadas da marca para revenda ou reaproveitamento, que também reverte parte da receita obtida para organizações parceiras. No período, foram arrecadadas 215 mil peças, registra o relatório.
foto: divulgação




