Estudo da consultoria BloombergNEF aponta 19,5GW contratados em 2019 por cem empresas de 23 países, incluindo o Brasil.
O mundo bateu novo recorde na compra de energia limpa a partir de contratos fechados por empresas de 23 países, incluindo o Brasil, em 2019. De acordo com estudo da consultoria BloombergNEF, os contratos envolvendo cem empresas somaram 19,5GW, aumento de 44% sobre os 13,6GW comprados em 2018, e que já correspondia a um recorde. “E mais do que o triplo da atividade vista em 2017”, ressalta o relatório do estudo Corporate Energy Market Outlook, que é atualizado todo semestre.
A previsão é os projetos envolvidos movimentarem entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões, para serem desenvolvidos e construídos. O comunicado à imprensa da consultoria inlcui declaração de Jonas Rooze, analista de sustentabilidade da BloombergNEF. Ele disse:“As empresas compraram mais de 50GW de energia limpa desde 2008. Isso é maior do que o total de geração de energia de mercados como Vietnã e Polônia. Esses compradores estão remodelando os mercados de energia e os modelos de negócios das empresas de energia em todo o mundo.”
As empresas de tecnologia dominaram as compras de energia limpa. O Google liderou o movimento, tendo assinado contratos para comprar 2,7GW em energia limpa globalmente em 2019. Só em setembro, a companhia adquiriu de energia limpa em seis países . “O maior anúncio individual já feito por uma corporação”, afirma a Boomberg. Facebook (1.1GW), Amazon (0.9GW) e Microsoft (0.8GW) foram os três próximos maiores compradores do mundo em 2019.
BUSCA POR ZERO EMISSÃO DE CARBONO
Do total contratado, empresas da região das Américas responderam por 15,7GW. Só os Estados Unidos negociaram 13,6GW, o equivalente ao total de energia limpa contratado pelo mercado corporativo em todo o mundo em 2018. Os outros 2,1GW envolvem os demais países das Américas, com Brasil e Chile emergindo como os principais mercados da América Latina. Os clientes brasileiros com demanda anual superior a 3MW, conhecidos como consumidores atacadistas, negociaram contratos diretamente com desenvolvedores de energia limpa, diz a BloombergNEF.
Para Kyle Harrison, analista de sustentabilidade da consultoria, o crescimento deriva da crescente pressão sobre as empresas para zerar a emissão de carbono. “Os contratos de energia limpa servem para diversificar o gasto de energia e reduzir a suscetibilidade aos riscos tangíveis associados às mudanças climáticas”, comenta o especialista.