As grandes empresas brasileiras avaliam o uso do algodão orgânico, mas até o momento nenhuma delas incluiu o insumo na produção; os projetos em andamento dão preferência a opções com oferta abundante
Embora a maior parte dos fabricantes brasileiros de denim esteja avaliando a viabilidade de lançar as chamadas linhas orgânicas, os projetos esbarram no ponto crucial: a oferta de algodão orgânico é insuficiente para suportar o volume de produção dessa indústria. Há outros aspectos a considerar, além desse desequilíbrio. De adaptações expressivas na planta produtiva ao preço que o mercado estaria disposto a pagar pelo apelo ecológico.
A constatação não criou impasses. A indústria investe no desenvolvimento de alternativas que trilhem o caminho do ecologicamente correto, evitando a expressão denim orgânico (veja o box). “O assunto já entrou em pauta várias vezes, e não é assunto descartado. Chegamos a avaliar, vimos amostras, mas a produção é pequena para atender a demanda industrial da Vicunha e o algodão orgânico tem um preço alto”, aponta Patrícia Ribeiro, coordenadora de desenvolvimento índigo da tecelagem.
A Cedro também avaliou o uso de algodão orgânico. “E chegou à conclusão de que, por enquanto, não há viabilidade econômica de produzir denim orgânico no mercado brasileiro. Como a produção é pequena, o preço é alto; e o consumidor brasileiro não valoriza. Na Europa, existe um nicho de mercado que dá valor a esse tipo de produto”, diz Cássia Silveira, gerente de marketing da empresa.
Da mesma forma, a Canatiba aponta a falta de oferta de algodão orgânico como o principal motivo para não incluir o lançamento do denim ecológico entre os planos de curto prazo, cita Darci Covolan, diretor da empresa. Ao baixo volume da produção orgânica do algodão e o preço alto quando comparado ao algodão convencional, Telma Mendonça, gerente de marketing da Covolan, acrescenta outros fatores. “Ainda não está claro como resolver o processamento químico próprio da produção do denim”, observa a executiva, contando que a empresa chegou a ir ao mercado para comprar algodão orgânico a fim de realizar testes e não conseguiu.
A Santista Têxtil está engajada no projeto Pure Cotton Brazil, consórcio criado pela empresa juntamente com a Coteminas, a Marisol e a Springs, para implementar as melhores práticas em toda a cadeia têxtil, de forma a garantir excelência em qualidade dos produtos e insumos e sustentação socioambiental. Os procedimentos passam pela produção de algodão com qualidade premium, dentro de padrões sociais e ambientais reconhecidamente corretos.
Como se trata de processo demorado, a empresa não estabelece prazo para que tecidos fabricados com esse tipo de algodão venham a integrar uma coleção. Segundo informação da Santista, o consórcio está na fase de identificar produtores que possam fazer parte dessa cadeia.
Alternativas
ao orgânico
A indústria trata de avaliar outros insumos. A Cedro faz testes industriais com tecido que usa um tipo de fibra diferenciada, com perspectiva de lançamento para o verão 2009. “É uma fibra que tem caráter rústico, natural”, conta Cássia Silveira, gerente de marketing, sem entrar em detalhes.
Entre as alternativas avaliadas pela Vicunha está desenvolver uma linha usando poliéster reciclado. “A fibra é mais cara que o poliéster convencional, mas a oferta é maior que a do algodão orgânico”, pondera Patrícia Ribeiro, coordenadora de produto índigo da tecelagem. Se aprovado o insumo, o tecido entraria na coleção de inverno 2009. “Ou até antes, dependendo da velocidade dos resultados”, explica ela.
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