Do cultivo do algodão à embalagem reciclável do produto, todos os agentes trabalham de forma articulada dando a forma sustentável ao jeans
Com as atenções mundiais voltadas para a sustentabilidade e a preservação do planeta, grandes marcas e confecções menores apostam em linhas orgânicas. No Brasil não é diferente. Os modelos de negócios que têm avançado são aqueles que conseguiram fazer a integração de toda a cadeia produtiva – planejamento do produto, produção de algodão orgânico por pequenos agricultores ou grupo deles, fiação, tecido, confecção e venda do produto. Na moda, a principal motivação tem sido adotar práticas de produção limpa, associando desenvolvimento sustentável apenas com as questões ecológicas.
As empresas que se preocupam e aderem ao movimento, estendem o conceito a todas as etapas, adotam desde embalagens recicláveis até técnicas de tingimento de tecidos que não agridam o meio ambiente. Os exemplos brasileiros mais citados de iniciativas com o algodão orgânico passam, invariavelmente, pela Coexis, em parceria com a YD Confecções, e pela Justa Trama. Apesar de pequena, a produção dessas cadeias tem dado saltos significativos.
Evolução
internacional
O início da saga envolvendo o jeans orgânico é nebulosa. O giro da Vogue francesa, no início do ano, conta que, em 2004, surgia no cenário a Loomstate, criada por Gregory Rogan e Hahn Scott, com produtos feitos em algodão orgânico. No ano seguinte, seria a vez do líder do U2, Bono Vox, e sua mulher, Ali Hewson, lançarem a marca Edun, em parceria com o próprio Rogan.
Em meados de 2006, a Levi´s Europe anunciava o lançamento da linha Eco, uma das primeiras grifes do mundo a contar com a certificação emitida pela Control Union, uma das principais instituições de acreditação em orgânicos no cenário internacional. Além do tecido orgânico, os modelos contam com botões, rebites e zíperes reciclados e tingimento com índigo natural.
Mais ou menos na mesma época, a francesa Rica Lewis assinou um acordo com Max Havelaar para fabricar um denim ético a preço recorde, com a expectativa de comercializar 300 mil jeans solidários em 2008.
Outros exemplos recorrentes, são a norte-americana Del Forte e a sueca Nudie. Mais recentemente, a marca norte-americana Earnest Sewn Jeans, que produz jeans sob encomenda em loja em Nova York, prevê lançar, em novembro, uma linha feita em denim orgânico, a Greencaste, especialmente desenvolvida para a unidade de Nova York da rede Barneys.
A holandesa Kuyich apregoa estar entre as primeiras fileiras do que chama de revolução orgânica e, segundo a empresa, se prepara para trabalhar apenas com algodão 100% orgânico. Em 2008, essa participação será de 70%. Além do uso do algodão produzido pelos métodos sustentáveis, a empresa adota o conceito de fair trade (negócios justos), que pressupõe o lucro em toda a cadeia. A companhia compra a produção integral de fazendeiros do Peru, da Turquia e da Índia, que estão organizados pela ONG holandesa Solidaridad.
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