O uso de selo é importante para atestar a origem do produto para o consumidor final; vários fabricantes internacionais de denim obtiveram certificação para composição de tecido entre 1% e 100%orgânico
Distinguir a roupa feita com tecido composto de algodão orgânico ou convencional não é fácil para especialistas. Imagine para o consumidor. A saída encontrada foi pregar tags nas roupas atestando a origem da matéria-prima, recurso já empregado para uma série de outros produtos. No caso do denim sustentável, a homologação não é feita pelo fornecedor ou produtor. A emissão do atestado é atribuição de entidades acreditadoras independentes.
“A certificação é necessária porque o algodão é uma cultura que sofre processo de manufatura, o consumidor está longe do produtor. É diferente do que acontece com outros produtos orgânicos, como alimentos, em que se usa o que chamamos de certificação participativa. Não precisa do selo porque os consumidores já conhecem os agricultores”, explica Melchior Batista, pesquisador da Embrapa Algodão, da Paraíba. E, neste caso, eliminam o custo da certificação.
No Brasil, a certificação com validação internacional é realizada pelo IBD (Associação de Certificação Instituto Biodinâmico). No plano internacional, uma das principais certificadoras de têxteis orgânicos, entre os quais os tecidos denim e brim e as roupas deles derivadas, é a Control Union. Até o momento, nenhuma empresa brasileira consta da lista de certificações para a área têxtil.
O algodão orgânico é o ponto de partida do processo. Mas as certificações não se limitam à produção agrícola. Todo o processo industrial é auditado.
Movimento do
mercado mundial
Em denim, a maior parte das certificações remetem a empresas do Paquistão, Índia, China, Turquia, países conhecidos como pólos de terceirização da produção de marcas e grifes internacionais. Turquia e Índia estão entre os maiores produtores de algodão orgânico. Entre os fabricantes de tecido certificados estão a Bossa, da Turquia, a Hellenic, da Grécia, a KG Denim, da Índia, e a Orta, da Turquia. A lista inclui até beneficiadores de jeans, como a turca Freshtex.
Nem todas têm o processo certificado como 100% orgânico. A composição de algodão orgânico utilizada no tecido varia de 1% a 100%. A Orta, por exemplo, lançou artigos com 3% de algodão orgânico, enquanto na linha da Bossa a participação é ligeiramente maior, de 5%.
Entre confecções e fabricantes de tecido, aparecem muitas opções em algodão orgânico a 98%, completados com 2% de elastano. Fabricantes como Arvind Mills (Índia), Tsinlien (China) e PTTy (Indonésia) constam como tendo denim 100% orgânico.
O consórcio Pure Brazil Cotton, formado por Santista, Coteminas, Marisol e Spring prevê montar uma cadeia sustentável, sendo que as etapas do plantio das sementes até a venda ao consumidor serão acompanhadas por uma organização independente de auditoria. “Também os processos das fábricas, da abertura de fardos à tecelagem, beneficiamento, acabamento e produto final serão auditados”, informa o comunicado enviado à imprensa, quando do lançamento do selo brasileiro, em meados do ano.
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