Para essa aplicação inovadora, a grife usou equipamento da Stratasys com a qual criou a coleção CHRO-Morpho, inspirada nos insetos.
Na passarela da NYFW, a tecnologia deu mais um passo em direção à moda. A threeAsFour e a Stratasys retomaram parceria e mostraram no desfile dois vestidos cujos detalhes foram impressos diretamente no tecido. Até agora, a impressão 3D na modaestava bem restrita a construção de acessórios, como aneis e colares, ou elementos quase de escultura. É o caso das alças do vestido recentemente mostrado pelo Senai Cetiqt em evento de moda em Santa Cruz do Capibaribe (Pernambuco).
Também com a threeAsFour, a Stratasys já havia subido a passarela em 2016. Naquela ocasião, a grife imprimiu três espirais que circulavam o corpo da modelo que usava por baixo um body. A aplicação atual é diferente porque a impressão 3D equivale a um bordado aplicado no tecido. No caso, uma base de poliéster, mas, poderia ter outra composição, como o denim, que já foi utilizado em projeto com a marca Kaimin, lembra Érica Massini, gerente de marketing para América Latina da Stratasys, que fica baseada no Brasil.
DETALHES DA CONFECÇÃO
Para os vestidos lançados na recente semana de moda de Nova York foram impressas células esféricas do tamanho de escamas de peixe diretamente na superfície externa do tecido, reforça o fabricante de impressoras 3D. O material empregado foram fotopolímeros escolhidos de modo a acompanhar o conceito da coleção CHRO-Morpho. A threeAsFour buscou reproduzir a morfologia, as cores e a propriedade diáfana de passagem de luz dos insetos. No caso dos vestidos, os efeitos das asas de borboleta.
As milhares de células que recobrem a superfície são formadas por lentes claras com o interior composto por tiras coloridas. Essa composição faz com que a cor do vestido mude a cada pequeno movimento. Todo o processo de impressão 3D levou 17 horas, informa a Stratasys. Érica explica que devido às limitações na largura da bandeja de impressão é preciso primeiro cortar o tecido segundo o molde de confecção. Para, depois, imprimir sobre as partes do vestido.
Nessa configuração, o tecido macio é que toca a pele, enquanto os desenhos impressos em 3D ficam na parte externa do vestido.
MERCADO DE EXPERIMENTAÇÃO
Por causa do material empregado, a opção nesse trabalho foi usar o modelo J750 PolyJet. É o mesmo comprado pelo Senai Cetiqt para equipar seu Fashion Lab. A Alpargatas é outro usuário de moda no Brasil, que adquiriu a impressora para fazer protótipos, com o objetivo de reduzir tempo de desenvolvimento e colocação do produto no mercado, explica a gerente.
Ela observa que na indústria de moda a fase da impressão 3D ainda é de experimentação. O projeto com a threeAsFour não poderia, por exemplo, ganhar escala. “O material não tem resistência para ser usado por muito tempo ou a lavagens caseiras”, detalha Érica.