Coleção desfilada no Amazon Poranga Fashion integra projeto de R$3,5 milhões desenvolvido para 3 comunidades do Amazonas

O couro de pirarucu cruzou a passarela do Amazon Poranga Fashion em 8 looks criados pelo estilista de origem indígena Sioduhi, da Sioduhi Studio, em parceria com a estilista ribeirinha Regina Ramos, da marca Sapopema, para a coleção Tempo-Memória em Nós, da Gigantio. Sioduhi explorou o contraste entre a superfície texturizada e rígida do couro e tecidos mais leves, como viscose.
“Não estamos falando apenas de um couro. É um material que tem história, origem, tecnologia e impacto, de fato, nas comunidades”, declarou Sioduhi em comunicado de imprensa. Ambos os estilistas contaram em suas redes sociais que trabalharam pela primeira vez com a pele de pirarucu. Eles foram convidados a participar do projeto por iniciativa da FAS (Fundação Amazônia Sustentável).
A Nova Kaeru é a empresa que forneceu a pele do pirarucu. O material cru é processado na fábrica da empresa localizada na região Serrana do Rio de Janeiro, na cidade de Três Rios. Conforme a empresa, o processamento usa método de curtimento orgânico patenteado, livre de metais pesados, obtendo couro resistente e maleável, que mantém a textura característica do peixe.
NOVAS FRENTES
A Gigantio é uma marca criada a partir da cadeia do pirarucu no Amazonas. Tem como objetivo principal comercializar o filé do peixe. Já a pele retirada do pirarucu vira couro para roupas, bolsas, cintos entre outros produtos. Assim, a coleção lançada na 4ª edição do Amazon Poranga Fashion, realizada em Manaus ao final de agosto, funciona como uma das aplicações previstas para o desenvolvimento de novos mercados e aumento da renda dos pescadores.
De acordo com comunicado da FAS, a coleção é uma das frentes de um projeto mais amplo, voltado à estruturação da cadeia produtiva do pirarucu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá. Anunciado em outubro de 2025 e com prazo de execução de 18 meses, o projeto visa o desenvolvimento de um sistema de rastreabilidade. Também inclui a criação de um app para registro de informações no campo que abastecem uma plataforma de gestão e registradas em blockchain.
O projeto de R$3,5 milhões conta com financiamento integral da Positivo Tecnologia. A empresa fez o desembolso por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), da Suframa, como contrapartida aos incentivos concedidos na Zona Franca de Manaus. Para o projeto de rastreabilidade, a coordenação é do Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), com execução a cargo da FAS.
QR CODE PARA RASTREIO
Da iniciativa participam a Associação dos Moradores e Usuários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá Antônio Martins (Amurmam), nas comunidades de Mangueira, Catiti e Jussara; a Cooperativa de Pesca Manejada e de Produtores da Reserva Mamirauá (Coopmaprem); e a Nova Kaeru. Conforme a FAS, a iniciativa alcança 55 manejadores de pirarucu. É deles que a Nova Kaeru compra a pele crua.
De acordo com o comunicado, as informações registram o pirarucu desde a captura, passando pelo processamento da carne e da pele, até a transformação do couro em produtos. Nas peças da coleção da Gigantio, um QR Code aplicado na etiqueta permitirá ao consumidor consultar a origem do couro e toda a trajetória na cadeia produtiva.
foto: divulgação





