Varejista reduz despesas e estrutura, mas receita recua e alta dos custos financeiros amplia o prejuízo no trimestre

A Marisa Lojas fechou o primeiro semestre de 2026 com receita líquida de R$672,7 milhões, queda de 2,8% em relação aos R$692,4 milhões registrados nos seis primeiros meses de 2025. O resultado líquido sofreu uma deterioração ainda maior. Conforme o balanço financeiro, a companhia passou de lucro de R$4,5 milhões para prejuízo de R$164,2 milhões.
No segundo trimestre de 2026, a receita líquida consolidada recuou 2,1%, para R$386,2 milhões. O prejuízo foi de R$68,4 milhões, ante lucro de R$2,1 milhões no mesmo período do ano passado. Assim como outros varejistas de moda, também a Marisa atribui parte da queda das vendas no trimestre à Copa do Mundo de Futebol, que reduziu o fluxo de clientes nas lojas em dias de jogo.
Na apresentação dos resultados, a companhia menciona que os números de 2026 consideram uma base de lojas menor nos últimos 12 meses, como parte do plano estratégico para aumentar a rentabilidade e a eficiência operacional.
A empresa também relaciona a redução das despesas à otimização do parque de lojas, à redução de equipes, à revisão de processos e ao maior controle sobre contratos e serviços. As despesas gerais e administrativas caíram 10,9% no segundo trimestre, para R$ 36,8 milhões. No semestre, recuaram 14%, para R$ 70,8 milhões.
A melhora das vendas comparáveis também veio acompanhada de avanço da margem bruta. A companhia atribui o desempenho a uma gestão mais precisa de compras, sortimento de produtos e preços, que teria reduzido a necessidade de remarcações. As vendas de produtos de inverno cresceram 7,2%, enquanto a categoria Íntimo avançou 6,7% e a feminina, 4,8%.
Os canais digitais também tiveram crescimento de 13,1% no trimestre.
PESO DAS DESPESAS FINANCEIRAS
Conforme relatório de resultado, o aumento das despesas financeiras no trimestre está relacionado à reestruturação do endividamento, com liquidação antecipada de determinadas dívidas e contratação de novas linhas de financiamento. A operação contribuiu para alongar o perfil da dívida. Ao fim de junho, 62% do endividamento da Marisa Lojas estava no longo prazo, contra 41% em dezembro de 2025.
Por outro lado, a dívida líquida aumentou 42,4% no período, para R$ 394,8 milhões.
No semestre, os investimentos da companhia somaram R$11,1 milhões, alta de 16,3% em relação a igual semestre de 2025. Projeto de TI receberam a maior parcela, de R$ 6,6 milhões. Entre os projetos estão integração da cadeia de suprimentos, CRM, personalização da jornada de compra, autoatendimento e Clique & Retire.
Desde o final de 2025, quando atuava com 230 lojas, a Marisa não atualiza o tamanho do parque de lojas.
foto: divulgação





