Nos relatórios de 2025, as varejistas mensuram impactos financeiros de iniciativas ambientais e climáticas nos negócios

A Lojas Renner e a C&A Brasil começaram a colocar números na relação entre sustentabilidade e desempenho financeiro. Nos relatórios de 2025, as duas varejistas mensuraram impactos econômicos de iniciativas ambientais e climáticas, mas usando métricas e resultados diferentes. A Lojas Renner calculou R$156 milhões de impacto no resultado operacional de 2025 com a venda de produtos mais sustentáveis e o uso de energia renovável. Já a C&A reportou R$45,7 milhões de efeito positivo sobre o lucro líquido apurado em 2025, principalmente em projetos de reformas e expansão de lojas, além de iniciativas de eficiência operacional.
Alinhadas ao padrão internacional IFRS S1 e S2, emitido pelo International Sustainability Standards Board (ISSB) e aprovado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliares), as duas varejistas apresentaram ao mercado de forma voluntária os efeitos econômicos de suas agendas de transição climática e governança social.
Apesar dos impactos financeiros positivos, as duas companhias usam métodos diferentes para medir os ganhos. O resultado operacional é apurado antes de despesas financeiras e impostos, enquanto o lucro líquido é apurado depois de descontados esses efeitos. Assim, não dá para concluir que os R$156 milhões da Lojas Renner correspondam a um ganho financeiro maior com sustentabilidade que os R$45,7 milhões da C&A.
PROJEÇÕES DA RENNER PARA 10 ANOS
É o segundo ano que a Lojas Renner publica o Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade, seguindo as normas IFRS S1 e S2. Conforme a empresa, em 2025, a venda de produtos com atributos considerados sustentáveis e o uso de energia renovável de baixo impacto renderam o equivalente a R$156 milhões no resultado operacional.
O valor representa alta de 22% sobre os R$128 milhões calculados em 2024, informa o relatório.
A venda de produtos mais sustentáveis respondeu por R$109 milhões do resultado. A companhia afirma que, atualmente, 8 a cada 10 peças comercializadas incluem na produção matérias-primas ou processos de menor impacto ambiental.
Para os próximos dez anos, a varejista estima que essa oportunidade poderá gerar entre R$166 milhões e R$193 milhões em fluxo de caixa positivo, líquido de impostos e trazido a valor presente.
O uso de energia renovável de baixo impacto gerou outros R$47 milhões no resultado operacional de 2025, contra R$34 milhões no ano anterior.
Os gastos com energia caíram 14% na comparação anual, enquanto o desconto médio obtido nas negociações no mercado livre chegou a 32%. Ao fim de 2025, 298 unidades operavam nesse modelo.
Nos próximos dez anos, a Lojas Renner estima impacto positivo entre R$232 milhões e R$269 milhões no fluxo de caixa.
Por essas projeções, somadas, as duas oportunidades poderão gerar entre R$398 milhões e R$462 milhões em fluxo de caixa positivo.
C&A ESTREIA COM BALANÇO
No primeiro relatório de sustentabilidade elaborado no padrão IFRS S1 e S2, a C&A registra que dos R$45,7 milhões registrados como impacto positivo no lucro líquido de 2025, R$41,7 milhões derivam de projetos de reformas de lojas e expansão do parque de lojas com menor impacto ambiental. Entre as iniciativas adotadas, o relatório menciona uso de energia renovável, sistemas de climatização mais eficientes, otimização do consumo de recursos e reaproveitamento de ativos entre unidades.
Outros R$4 milhões a empresa associa à otimização operacional, incluindo integração omnicanal e redesenho da malha logística.
De acordo com a C&A, essas medidas podem reduzir consumo de energia, perdas com baixa de ativos e necessidade de novos investimentos, além de aumentar a previsibilidade de custos.
A companhia também identificou oportunidades relacionadas à ampliação de produtos mais sustentáveis, mas ainda não atribuiu impacto financeiro a essa frente. De acordo com o relatório, 72,2% das principais matérias-primas tinham origem sustentável ao fim de 2025, diante de uma meta de 80%. No consumo de energia, 95% tinham origem de fontes renováveis, com 66% das lojas comprando no Mercado Livre de Energia.
GESTÃO DE RISCOS
Apesar das diferenças entre os indicadores financeiros, os dois relatórios tratam sustentabilidade como tema ligado à estratégia, à gestão de riscos e à alocação de recursos.
Na Lojas Renner, a gestão de recursos hídricos aparece como oportunidade relacionada à resiliência da cadeia de fornecimento de jeans diante do risco de secas. Em 2025, 67,9% das peças dessas categorias foram classificadas como de baixo consumo de água, acima da meta de 60% estabelecida para 2030, informa o balanço.
A companhia também ampliou a avaliação de riscos físicos climáticos. Junto com ondas de calor, inundações e tempestades, incêndios florestais e secas meteorológicas, incluiu a ocorrência de ventos fortes em seu mapa de vulnerabilidades climáticas. Cerca de 27% das unidades de negócio, incluindo lojas e centros de distribuição, apresentavam algum grau de exposição aos riscos avaliados.
Entre os riscos já quantificados, as ondas de calor tiveram impacto de aproximadamente R$10 milhões no resultado operacional de 2025, informa a Lojas Renner. Para os próximos dez anos, estima efeitos entre R$94 milhões e R$ 110 milhões sobre o fluxo de caixa.
Na C&A, os riscos mapeados incluem os impactos provocados por temperaturas atípicas sobre as coleções. Envolvem também eventos extremos sobre os canais de venda, capacidade de distribuição logística e dependência de terceiros na cadeia de fornecimento. A empresa também considera as condições climáticas na composição do sortimento e pode realocar estoques entre regiões com padrões de temperatura diferentes.
METAS CLIMÁTICAS
Os dois relatórios também consolidam metas ambientais de longo prazo.
A Lojas Renner tem metas validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi) para reduzir em 90% as emissões absolutas dos escopos 1, 2 e 3. E tem meta para compensar os 10% restantes, até alcançar a neutralidade climática em 2050.
Na C&A, a SBTi aprovou em 2025 a meta de reduzir em 42% as emissões absolutas dos escopos 1, 2 e 3 até 2030.





