Com nova operação, grupo passa a produzir fios reciclados para aplicação em malharia e tecidos planos, como denim

O Grupo EuroFios, que nasceu há cerca de 20 anos com a produção de fios a partir de resíduos têxteis, anuncia a expansão de sua atuação para o mercado de moda com a Infinitex. A nova marca surgiu para atender tecelagens de malha e tecidos planos como denim, com fios reciclados mais finos do que os tradicionalmente produzidos pela companhia. Operando há cerca de 18 meses em uma segunda planta na cidade de Ascurra, interior de Santa Catarina, a Infinitex tem capacidade inicial para 200 toneladas de fios por mês.
O projeto prevê a duplicação da capacidade para 400 toneladas mensais nos próximos três a quatro anos, dependendo da evolução da demanda. Até agora, os investimentos no projeto somam cerca de R$25 milhões, contou ao GBLjeans Adilson Rodrigues de Moura, diretor de operações da EuroFios.
Ele conta que a Infinitex passa a trabalhar com fios singelos reciclados para tecidos, em títulos que vão de 6/1 a 18/1 NE. Embora o 18/1 seja considerado um fio relativamente grosso no mercado convencional de moda, Moura explica que está entre os títulos mais finos possíveis dentro de sua produção de reciclados, em razão das características das fibras recuperadas.
A companhia afirma que não pretende avançar, neste momento, para fios reciclados ultrafinos. O objetivo é preservar a resistência e a performance necessárias para que as tecelagens processem o material com eficiência.
FIO CERTIFICADO
De acordo com o diretor, a entrada no mercado de moda representa uma evolução dentro do próprio negócio de reciclagem da EuroFios. A empresa começou transformando resíduos têxteis em fios para o mercado de artesanato (tricô, crochê e macramê), com a marca EuroRoma. Essa primeira fábrica fica em Blumenau, junto com a sede da empresa.
Em Ascurra, a companhia opera duas fábricas. A Retex cuida do processamento bruto do material que vai para a reciclagem. E a Infinitex, a fiação responsável por transformar o material desfibrado em fios industriais certificados com GRS (Global Recycled Standard). A nova divisão já desenvolve projetos com fabricantes de denim e malharias, como o Fio do Futuro, da Malwee.
Para Moura, a aplicação em denim é uma das frentes de maior potencial de expansão. E ressalta que tecidos produzidos com os fios reciclados apresentam aparência semelhante a dos produtos convencionais. “Não é possível identificar visualmente que a matéria-prima tem origem em resíduos têxteis”, assegura.
De maneira a divulgar essa nova frente para o mercado de moda, a Infinitex participou da Febratex 2026, feira de negócios na área têxtil realizada a semana passada em Blumenau.
RESÍDUO QUE NÃO VIRA FIO
Atualmente, as três unidades da empresa transformam cerca de 14 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, informa o diretor. A operação começa com a compra e seleção das aparas, principalmente provenientes de fabricantes do Vale do Itajaí. Em seguida, os resíduos passam pela separação por tipo e cor, de forma manual, e envolve equipe de 80 funcionários.
Moura ressalta que tecidos estampados, que representam cerca de 30% dos resíduos comprados pelo grupo, constituem o principal desafio para a reciclagem têxtil. Como a combinação de cores dificulta a transformação em fios com tonalidade uniforme, esses resíduos eram considerados rejeitos. De maneira a evitar o descarte, a empresa desenvolveu um feltro misto destinado a aplicações industriais, como fabricação de colchões, forração de carpete, indústria automotiva (para isolamento acústico ou amortecimento) e construção civil. O lançamento foi feito na Febratex.
A título de demonstração, contou o diretor, o material serviu de revestimento para o piso do estande da empresa na Febratex, assim como no do espaço de palestras Arena do Conhecimento.
foto: divulgação





