‘Segue o Fio: da origem ao impacto’ rastreou 12 modelos da marca AR Something conforme as normas da UE para 2027

Um projeto desenvolvido em São Paulo começou a testar na indústria brasileira da moda a aplicação do Passaporte Digital de Produto (Digital Product Passport – DPP). Criado pela União Europeia, o passaporte em formato de QR Code deve reunir informações sobre a origem, a composição e o ciclo de vida de produtos. A partir de 2027, o passaporte será exigido para diferentes categorias de mercadorias comercializadas no bloco, incluindo os têxteis.
Batizado de ‘Segue o Fio: da origem ao impacto’, o projeto é uma iniciativa do Grupo de Trabalho de Economia Circular do SP+B. O sistema B promove a certificação Empresa B (ou B Corp), concedida mediante processo de avaliação e auditoria de práticas socioambientais e de governança. Com o projeto, o grupo buscou a criação de um modelo de rastreabilidade que possa apoiar empresas brasileiras na adaptação às novas exigências de transparência e circularidade da União Europeia.
Durante 5 meses do primeiro semestre de 2026, o projeto-piloto foi conduzido em parceria com a marca paulistana AR Something, de moda agênero. Utilizando a plataforma TraceSurfer, foram emitidos passaportes digitais para 94 peças, distribuídas em 12 modelos da marca, informa a coordenação do projeto ao GBLjeans.
As informações sobre origem, composição, processos produtivos e orientações para reparo, reutilização e descarte ficam disponíveis aos consumidores por meio de QR Codes aplicados em etiquetas internas das roupas.
RASTREAMENTO
Conforme a coordenação do projeto, o mapeamento da cadeia produtiva da AR Something reuniu informações das etapas de corte, costura, estamparia e tecelagem diretamente com os fornecedores. Já o rastreamento da origem das fibras encontrou limitações. “As tecelagens possuíam somente informações genéricas sobre a origem da matéria-prima dos tecidos, como, por exemplo, de qual país importam o fio ou de qual estado do Brasil a fibra vem, mas não de uma fazenda ou fábrica específica”, afirmou o projeto em resposta ao GBLjeans. E completou: “A indústria não possui a cultura, tampouco a estrutura necessária para que esses dados sejam recolhidos, sistematizados e conectados ao longo da cadeia de forma acessível e útil”.
Os resultados da iniciativa serão apresentados nesta quinta-feira, 6 de agosto, durante a programação da São Paulo Climate Week. Coordenadora do projeto ‘Segue o Fio: da origem ao impacto’, Eloisa Artuso explica que o piloto foi concebido para gerar conhecimento sobre os desafios da implementação da rastreabilidade no setor. “Nosso objetivo não é apenas implementar uma ferramenta, mas gerar conhecimento aplicado que possa apoiar empresas na adoção dessas soluções, além de fomentar o debate sobre políticas regulatórias no Brasil”, declarou em comunicado de imprensa.
Entre as constatações do piloto está a de que a adoção do Passaporte Digital de Produto é tecnicamente viável. Mas depende de maior integração e padronização das informações compartilhadas entre os diferentes elos da cadeia têxtil.
CUSTO DE RASTREAR CADA PEÇA
Conforme os coordenadores do projeto ‘Segue o Fio: da origem ao impacto’, o custo varia de acordo com a estrutura de cada empresa. “Além do custo da tecnologia em si, é preciso considerar que, pelo menos, uma pessoa vai precisar se dedicar à busca ativa dessas informações, ao longo de todos os tiers. Depois dessa pesquisa, é necessário organizar não só os dados, mas o fluxo que eles deverão percorrer dentro da própria empresa e fora dela, para subsidiar os atores das outras etapas da cadeia. Por exemplo, se eu perguntar a um representante comercial sobre a origem do fio do tecido que ele me vendeu, ele precisa ter essa informação sistematizada dentro da sua empresa de forma que possa acessá-la e passá-la adiante. Ou seja, é preciso que haja uma estrutura do fluxo da informação para que ela possa chegar do departamento de sourcing até o comercial e, depois, até mim, e assim por diante”, explicou a coordenação do projeto ao GBLjeans.
No comunicado de imprensa, Antônio Gomes, fundador da AR Something, afirma que o projeto ajuda a transformar informações que muitas vezes já existem dentro das empresas em dados organizados e verificáveis. “Para pequenas marcas, iniciativas como essa ajudam a transformar práticas que muitas vezes já fazem parte da rotina em informações organizadas e verificáveis. Isso fortalece a gestão, amplia a transparência e aproxima consumidores da história por trás de cada peça”, completa.
foto: divulgação (coleção da AR Something)





