Baseada em uma agrofloresta em Pium, marca de moda sustentável adota processos certificados

Para a Villa Dharma, uma marca de moda sustentável do Rio Grande do Norte, crescer não significa necessariamente produzir mais. Mesmo com a estratégia de avançar no mercado internacional, a fundadora e diretora criativa da marca Vanessa Stadtlober busca o equilíbrio sem transformar a produção artesanal em uma operação de grande escala. Com três anos de existência, a empresa produz cerca de 400 peças por mês e já tem aproximadamente 10% do faturamento vindo das exportações.
A marca autoral potiguar integra a delegação de dez empresas brasileiras selecionadas pelo projeto Brazilian Sustainable Fashion in Milan, ação promovida pelo Texbrasil com a Abrimos (Associação Brasileira da Indústria, Comércio, Serviços e Educação para Moda Sustentável), marcada para o período entre 22 e 24 de setembro na Itália.
PRODUÇÃO RESPONSÁVEL
Fundada em 2023 por Vanessa na comunidade de Pium, litoral sul do Rio Grande do Norte, a marca opera a partir da Ecovila Pau Brasil, uma área de agrofloresta com dois hectares. O modelo de negócio é estruturado sobre o impacto social local. Conforme a empresária, 98% do processo produtivo envolve mulheres, sustentando diretamente 15 famílias da comunidade.
Mas a busca por crescimento internacional também expõe um dos principais desafios do modelo: matérias-primas sustentáveis certificadas ainda têm oferta restrita e custo mais elevado. Conforme a fundadora explica, a Villa Dharma trabalha exclusivamente com materiais que atendem aos critérios de sustentabilidade da marca.
O linho utilizado é fornecido por empresa com certificação Oeko-Tex Standard 100, enquanto as malhas de algodão são certificadas pelo Gots (Global Organic Textile Standard). O mesmo vale para outros tecidos, como cânhamo e seda. Na visão dela, a própria empresa precisa passar por processos de auditoria e ser oficialmente certificada em suas operações. Por isso, na Villa Dharma, os processos produtivos são auditados e validados pela EkoVeritas, sob as diretrizes da Organização Mundial da Sustentabilidade (WSO).
Para Vanessa, é imprescindível que uma marca de moda sustentável detenha certificação de sustentabilidade “em seu próprio CNPJ”, e não apenas por meio de fornecedores certificados. Esse é um dos pontos que, segundo a empresária, ganham peso nas negociações internacionais.
TEMPO DE CRIAÇÃO E DA NATUREZA
Parte da produção envolve rendas feitas à mão e outros trabalhos manuais, que dependem do tempo e da disponibilidade das artesãs. Assim como o processo depende também do tempo da natureza. Em vez de tratar essas características como obstáculo a superar, a Villa Dharma incorpora à estratégia comercial.
De acordo com a empresa, a produção limitada ajuda a preservar a exclusividade e trabalhar com peças de maior valor. O desafio é encontrar compradores dispostos a aceitar prazos e volumes compatíveis com esse modelo, diz. “A nossa meta é cada vez aumentar o ticket do nosso produto para não precisar perder o nosso DNA”, afirma.
Hoje, cerca de 300 das 400 peças produzidas mensalmente são de produção regular para abastecer lojas. As outras 100 são peças únicas ou sob medida, incluindo vestidos para ocasiões especiais. No Brasil, os canais de comercialização incluem loja própria de varejo e venda para multimarcas.
Em Milão, a Villa Dharma apresentará a coleção Patuá, incorporando bordados feitos de junco, renda de bilro, renda richelieu, trabalhos em macramê e crochê.
foto: divulgação





