Feira realizada em Serra Negra do Norte reuniu 30 mil visitantes atraídos ao polo que produz 1 milhão de bonés por mês

A segunda edição da Feira Nacional da Cadeia Produtiva do Boné, a Boné Brasil, encerrou 3 dias de evento com cerca de R$3,5 milhões em negócios gerados entre as empresas participantes. Realizada de 6 a 8 de agosto na cidade de Serra Negra do Norte, no Rio Grande do Norte, a feira reuniu em torno de 30 mil visitantes de diferentes estados e reforçou a posição do município como um dos principais polos de produção de bonés do país.
Com cerca de 8 mil habitantes, Serra Negra do Norte recebeu uma população quase 4 vezes maior por causa da feira. A produção de bonés no estado está concentrada em três cidades da região do Seridó. Além de Serra Negra do Norte, a produção alcança Caicó e São José do Seridó.
Conforme a prefeitura de Serra Negra do Norte, a cidade conta com aproximadamente 50 fábricas ligadas à cadeia produtiva do boné. A produção local chega a 1 milhão de peças por mês, entre bonés, viseiras, chapéus e bolsas, afirmam os organizadores da feira. O ecossistema reúne ainda fornecedores de máquinas, tecidos, bordados, aviamentos e outros insumos utilizados pela indústria.
VENDAS NA FEIRA
Desta 2ª edição da feira Boné Brasil participaram 45 expositores. Entre os quais a Silmaq que registrou R$1,04 milhão em vendas durante a feira. O resultado inclui R$720 mil em equipamentos de bordado. Outros R$275 mil apurados com a venda de máquinas e equipamentos de costura e R$45 mil em peças e acessórios, conforme o comunicado de imprensa.
Especializada em máquinas de costura, a Jack & Ello respondeu sozinha por R$2,362 milhões em negócios. Vendeu todo o estoque de peças levado para o evento. Já a Lola Soluções Têxteis registrou R$150 mil, de acordo com a organização da feira.
Entre as novidades anunciadas durante o evento está a criação do Selo Boné Brasil, em parceria da prefeitura de Serra Negra do Norte com a F7 Produções, organizadora da feira. A expectativa com o selo é evitar fraudes e negociações realizadas por empresas ou perfis sem a devida confiabilidade, atestando a regularidade jurídica e fiscal das empresas do polo.
De acordo com a F7, as empresas interessadas podem solicitar o selo, enquanto compradores terão acesso à relação de negócios certificados.
EVOLUÇÃO EM 3 DÉCADAS
A produção de bonés na região ganhou impulso a partir da década de 1990. Forte no cultivo de algodão, o Seridó também sofreu a destruição das lavouras de todo Brasil por conta da praga conhecida como bicudo-do-algodoeiro na década de 1980. Ao buscar alternativas, a região investiu em um segmento que já contava com artesãos especializados na confecção de chapéus de couro e palha, fazendo a transição para a indústria de bonés.
O maior polo de produção de bonés do Brasil fica em Apucarana, no norte do Paraná. Conforme o APL local, a produção varia entre 3 e 4 milhões de bonés por mês, dependendo da época do ano.





