Iniciativa reúne dez marcas sustentáveis apresentadas a compradores internacionais durante a semana de moda italiana

Pela primeira vez, o Brasil vai organizar integralmente uma ação de moda durante a Semana de Moda de Milão, com desfile e showroom voltados à promoção comercial de marcas nacionais. A iniciativa que reúne dez empresas de moda sustentável em Milão foi estruturada pelo Texbrasil com o objetivo de atuar como plataforma de internacionalização. Conforme os organizadores, a intenção é tratar a sustentabilidade como atributo comercial para ampliar a exportação de moda brasileira.
Batizado de Brazilian Sustainable Fashion in Milan, o projeto será realizado entre 22 e 24 de setembro em iniciativa que envolve o Texbrasil, programa de internacionalização da indústria têxtil e de moda brasileira desenvolvido em conjunto pela ApexBrasil e pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), além da Abrimos (Associação Brasileira da Moda Sustentável).
A programação começa com o desfile coletivo no dia 22. “Além do desfile, a gente vai realizar dois dias de showroom justamente para que a gente possa fazer conexão com compradores”, explica Lilian Kadissi, superintendente de marketing e negócios da Abit e gestora do projeto Texbrasil. De acordo com a executiva, a organização trabalha com dois perfis principais de potenciais clientes. Um deles são as grandes cadeias de varejo da Europa. Na outra ponta, estão compradores de boutiques de médio porte, que costumam trabalhar com volumes menores.
DE EXPOSIÇÃO E NEGÓCIO
Com esse projeto, as entidades planejam usar a moda sustentável como porta de entrada para apresentar uma oferta brasileira de maior valor agregado. A seleção das empresas considerou diferentes formas de atuação no campo da sustentabilidade, de matérias-primas certificadas a projetos sociais, reaproveitamento de resíduos e tingimento natural, comenta Lilian.
Em torno de 25 empresas se candidataram ao edital que resultou na seleção das dez participantes. Oito delas contam com certificação internacional de sustentabilidade, conta a superintendente. A certificação não foi obrigatória, mas funcionou como um diferencial no processo de seleção.
As empresas também passaram por uma preparação de cerca de três meses, com consultoria voltada à adequação dos produtos e à apresentação das coleções. Para algumas, o processo incluiu ainda formação de preço internacional, já que nem todas têm experiência de exportação.
“A gente não tem uma expectativa de negócios já estabelecida, porque vai ser a primeira vez que nós realizamos um evento do Brasil”, diz Lilian. Conforme a executiva, a expectativa é gerar conexões comerciais que possam resultar em negócios não necessariamente durante os dois dias de evento, mas ao longo do relacionamento construído a partir de Milão.
ATRIBUTO ECONÔMICO
Para Francisca Vieira, presidente da Abrimos e fundadora da Natural Cotton Color, o desafio brasileiro é deixar de tratar sustentabilidade apenas como discurso e transformá-la em atributo econômico. “O Brasil tem a moda que o mundo está querendo e o planeta está precisando”, insiste. Na avaliação da executiva, porém, o país ainda precisa de políticas públicas, investimento e comunicação para transformar seus diferenciais em posicionamento internacional.
Francisca defende que o produto sustentável não deve competir por preço ou escala. A combinação entre produção limitada, trabalho artesanal, rastreabilidade e exclusividade pode aproximar a moda sustentável do mercado premium e de luxo. “Para eu pagar bem, eu tenho que vender bem. Para eu vender bem, eu tenho que ter exclusividade”, afirma.
Uma matéria-prima sustentável, isoladamente, não é suficiente para garantir o interesse de compradores internacionais, afirma. Certificações, design, inovação, qualidade e diferenciação precisam compor a proposta comercial mais ampla, argumenta a presidente da Abrimos.
Ela cita ainda tecnologias e produtos desenvolvidos no país, como o denim patenteado da Paraíba, como exemplo de ativos que podem contribuir para posicionar a indústria brasileira em mercados de maior valor.
INVESTIMENTO
O projeto Brazilian Sustainable Fashion in Milan representa investimento estimado em torno de €100 mil. Conforme Lilian Kadissi, a maior parte, 90% do investimento são bancados pelo Texbrasil por considerar o projeto especial. “São marcas pequenas, marcas de mulheres, então a gente tem esse direcionamento de promover e desenvolver marcas menores”, explica.
Em vez de distribuir recursos entre participações individuais em eventos já estabelecidos, as entidades optaram por criar uma ação própria, com maior controle sobre produção, comunicação e seleção dos profissionais envolvidos.
As dez marcas passam a integrar o Texbrasil e poderão participar de outras iniciativas de internacionalização promovidas pelo programa. Conforme Lilian, a expectativa é que a iniciativa tenha novas edições e possa ampliar o número de empresas participantes.
AS 10 MARCAS EM MILÃO
01
Alina Amaral
02
Ana de Jour
03
Camila Machado Ateliê
04
Celeste
05
Ludimila Heringer
06
Lyberthras
07
Natural Cotton Color
08
Proposta Verde
09
Val Valadares
10
Villa Dharma
foto: divulgação (Camila Machado Brand)





