Com a inflação contida, o varejo do setor ensaia recuperação no mês, depois de registrar duas quedas seguidas de vendas

Os indicadores de moda de agosto voltaram a revelar divergências de desempenho na cadeia têxtil e de vestuário em 2026. Em agosto, a atividade industrial registrou recuo tanto no segmento têxtil quanto na confecção de roupas, acompanhando a retração do setor fabril do Brasil em geral. Em contrapartida, as vendas do comércio varejista de moda apresentaram reação, subindo em volume e receita no mês. Na ponta do consumo, a inflação do grupo de moda registrou leve alta impulsionada por outros itens, mas com o segmento de roupas ainda mantendo variação negativa. Já os preços industriais subiram para roupas e recuaram para têxteis em agosto.
ATIVIDADE INDUSTRIAL
Assim como a indústria geral, cuja atividade caiu 0,60%, também a produção da indústria têxtil recuou 0,60% em agosto. Com esse resultado, o setor têxtil intensifica o ritmo de retração no acumulado do ano, com queda de 4,20% entre janeiro e agosto na comparação com o mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses acumulados, a produção têxtil assinala baixa de 2,70%.
A retração industrial em agosto foi ainda mais acentuada no segmento de confecção de vestuário, cuja produção encolheu 3,30% no mês. Com a taxa negativa de agosto, o recuo da indústria de roupas no ano se aprofunda, chegando a 7,30% entre janeiro e agosto em relação aos mesmos oito meses de 2025. No acumulado de 12 meses até agosto, a produção de roupas registra queda de 4,90%.
CONSUMO NA PONTA
Diferentemente do desempenho negativo observado nos dois meses anteriores, o varejo de moda ensaiou reação em agosto. O volume de vendas do segmento de tecido, vestuário e calçados avançou 0,60% no mês, superando o crescimento do comércio geral de 0,10%. A receita nominal do varejo de moda também acompanhou a alta, registrando expansão de 0,70% no período.
Apesar do alívio pontual no mês, o acumulado do ano para o volume de vendas do varejo de moda segue em campo negativo, com retração de 1,40% de janeiro a agosto ante o mesmo período de 2025. E em baixa de 1,80% no acumulado de 12 meses. Já a receita nominal de vendas da moda mantém trajetória positiva, acumulando alta de 1,90% no ano e de 1,80% em 12 meses.
PREÇOS INDUSTRIAIS E INFLAÇÃO
Nos preços, os movimentos entre os custos industriais e a ponta do consumo continuaram em modo gangorra em agosto. Após seguidos aumentos, a indústria têxtil aplicou redução de 0,72% nos preços de porta de fábrica em agosto. Apesar desse recuo mensal, os artigos têxteis acumulam aumento de 1,44% de janeiro a agosto, embora apresentem queda de 1,07% no acumulado dos últimos 12 meses.
Já os preços industriais das confecções de vestuário voltaram a subir em agosto, com discreta alta de 0,17%. Dessa forma, os preços de porta de fábrica do vestuário acumulam elevação de 2,97% no ano e de 1,40% nos últimos 12 meses.
Mesmo com a inflação brasileira recuando 0,32% em agosto ante julho, o grupo de produtos de moda aumentou os preços em 0,12%, puxado pelos calçados. No entanto, para roupas, a inflação registrou nova queda, de 0,10%. De janeiro a agosto de 2026, os preços das roupas no varejo continuam em deflação, com variação negativa de 0,43%. No acumulado de 12 meses, a inflação de roupas é de 1,47%, menos da metade da inflação de moda, de 3,25% no período.
EXPLORE
Em Indicadores de Moda, o GBL | Monitor organiza os principais indicadores da cadeia têxtil, de vestuário e de calçados, combinando as bases oficiais publicadas mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). São dados de Produção Industrial Mensal (PIM), Índice de Preços ao Produtor (IPP), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).
Dá, ainda, para acessar as séries consolidadas de 2024 e 2025, permitindo comparações históricas e análise de tendência.
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