Novo presidente da entidade, Luiz Arthur Pacheco aborda efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o setor, aumento das importações e a agenda setorial

Novo presidente do Sinditêxtil-SP eleito para o triênio 2026-2028, Luiz Arthur Pacheco avalia que a indústria têxtil brasileira deverá enfrentar “distorções importantes” no segundo semestre, em função das tensões geopolíticas envolvendo a guerra no Oriente Médio travada por Estados Unidos, Irã e Israel. Também poderão pesar sobre o setor as interrupções logísticas que já impactam o preço e prazos dos fretes internacionais, disse Pacheco em entrevista ao portal GBLjeans, durante a feira Agreste Tex 2026.
Conforme o dirigente, alguns segmentos já relatam atrasos na chegada de insumos importados, assim como de roupas de inverno. Fibras têxteis como poliéster e acrílico registram altas expressivas, de até 50%, enquanto o frete também sobe pressionado pelo diesel e pela instabilidade nas rotas marítimas globais. “Tem muita coisa de inverno que não chegou e está começando a atrasar. Essa já é uma preocupação”, afirmou Pacheco.
Ele acrescenta que os efeitos desse desequilíbrio devem se intensificar no segundo semestre, com impacto direto na formação de preços e na negociação com o varejo.
“O primeiro trimestre já aponta crescimento relevante das importações, na casa de 25%”, ressaltou. Ele considera o aumento preocupante porque decorre em meio a um cenário de consumo doméstico ainda enfraquecido, o que dificulta o repasse de custos ao mercado.
AGENDA SETORIAL
A eleição para o triênio 2026-2028 é a terceira passagem de Pacheco na presidência do Sinditêxtil-SP. Ele atua como diretor corporativo e de relações com investidores na Paramount Têxteis, empresa onde trabalha desde 1990. Além das questões econômicas, o dirigente assume agenda intensa, dividida entre pautas nacionais e estaduais.
No plano nacional, ele conta que o sindicato atua em conjunto com entidades como a Confederação Nacional da Indústria para discutir medidas que impactam a competitividade do setor. Entre os temas está o debate sobre a tributação de importações via e-commerce — a chamada “taxa das blusinhas” — e a proposta de mudança na jornada de trabalho 6×1. “Não é um tema para ser tratado com essa velocidade em ano eleitoral. É uma discussão que exige maturidade e tempo”, afirma, defendendo ampliar as negociações da jornada de trabalho até o próximo ano.
Outro eixo relevante é o acompanhamento da regulamentação da reforma tributária. Em articulação com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o sindicato monitora normas que ainda serão definidas e que terão impacto direto sobre a operação das empresas a partir de 2026.
AGENDA ESTADUAL
No âmbito estadual, a entidade defende a manutenção do crédito presumido de ICMS como instrumento de equilíbrio frente às importações, além de acompanhar os desdobramentos da guerra fiscal entre estados.
Pacheco acrescenta que a interlocução com a Cetesb segue como prioridade. Entre as iniciativas conjuntas está uma nova versão para o manual de licenciamento ambiental voltado à cadeia têxtil, com previsão de conclusão até o fim de 2026 e lançamento no início de 2027.
A nova gestão também reforça a atuação institucional junto ao governo paulista, com agendas que incluem segurança pública, combate ao roubo de cargas e apoio a políticas sociais, especialmente voltadas à proteção das trabalhadoras — que representam cerca de 70% da mão de obra do setor no estado.
“Temos uma agenda que vai além da relação entre empresa e trabalhador. É uma atuação ampla, que envolve competitividade, ambiente regulatório e questões sociais”, conclui o novo presidente do Sinditêxti-SP.
foto: divulgação (Carol Carquejeiro)



