Pesquisa da Kantar indica que 77% dos brasileiros pretendem acompanhar o torneio, ampliando a disputa das marcas pela atenção deles

O período da Copa do Mundo de Futebol de 2026, que estreia em 11 de junho e termina em 19 de julho, pode gerar R$803,7 milhões ao varejo de moda com a venda de vestuário, calçados e acessórios, estima a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Frente a projeção da CNC de um impacto total de R$4,32 bilhões no varejo nacional, alta real de 6,5% em relação à Copa 2022, a expectativa para moda fica atrás apenas do setor de alimentos e bebidas.
Conforme levantamento da consultoria Kantar, 77% dos brasileiros pretendem acompanhar os jogos da Copa 2026 de futebol masculino. A audiência será distribuída entre TV aberta (73%), TV por assinatura (39%), streaming (31%) e redes sociais (23%), ampliando os pontos de contato entre marcas e consumidores. Mas, a consultoria avalia que terão mais chances de atrair a atenção do consumidor, as marcas que investirem na própria identidade. Isso porque durante a Copa 2022 muitas marcas produziram campanhas com mensagens semelhantes entre si, difíceis de diferenciar na memória do consumidor, aponta a análise.
Pela análise dos lançamentos de produtos temáticos até o momento, duas rotas se destacam nos investimentos de moda realizados para aproveitar a onda da Copa de 2026.
BRASILIDADE

Em vez de reproduzir camisetas verdes e amarelas ou uniformes inspirados diretamente na seleção brasileira, diversas marcas de moda transformaram a Copa 2026 em uma oportunidade para explorar conceitos mais amplos de brasilidade.
Marca de moda masculina, a Oriba desenvolveu coleção inspirada no Pau-Brasil, utilizando predominantemente tons de azul e branco. Além disso, criou peças para durar mesmo após o encerramento do Mundial.
Na mesma direção, a PatBO lançou a cápsula Espírito Brasileiro, que buscou traduzir o universo do futebol por meio do artesanato, dos bordados e de referências às conquistas históricas da seleção, aproximando o evento esportivo do segmento de luxo contemporâneo para mulheres.
Já o drops BRSL da feminina Panô Resortwear inclui shorts, camiseta, boné, regata, biquíni, calça, canga, vestido, peças produzidas em azul-marinho, amarelo clarinho, verde com branco.
De moda feminina, a Maria Filó buscou ativar a memória afetiva com o modelo de camiseta inspirada em uniformes mais antigos e no lenço com estampa chrevron.
A Dudalina lançou uma linha de polos e camisetas com inspiração na seleção brasileira, em peças femininas e masculinas que combinam azul, branco e amarelo em modelagens tradicionais da marca.
Como complemento da coleção para a Copa 2026, a Chico Rei criou sua versão de uma camisa vermelha para a seleção brasileira, ideia abandonada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Do segmento de artigos esportivos, a Centauro lançou coleção licenciada pela CBF inspirada na trajetória da seleção brasileira e no pentacampeonato. A linha reúne vestuário e acessórios para adultos e crianças. São camisetas, jaquetas, calças e bermudas.
Na BFShow, fabricantes apresentaram tênis e sapatilhas, nas cores do Brasil, além de malas e acessórios para quem viajar para assistir os jogos nos Estados Unidos, Canadá e México.
Até mesmo a Crocs entrou na movimentação com acessórios baseados no universo da Copa.
CRIANÇAS NA TORCIDA
No segmento infantil, a Milon desenvolveu modelos para torcer como parte da coleção de outono/inverno, comercializada nas 130 lojas próprias de varejo e no canal multimarcas. São dois modelos de t-shirt em tom amarelo vibrante, um para as meninas, com aplicação da bandeira brasileira, e outra para meninos que traz a palavra “Brasil” em evidência, acompanhada de elementos gráficos da bandeira nacional e estrelas que remetem às conquistas históricas do futebol brasileiro, explica a marca.
Marca infantil do grupo AKR Brands, a King&Joe Play informou ter comercializado 89% da produção de sua coleção inspirada na Copa antes mesmo do início da competição. As peças resgatam referências dos uniformes da seleção de 1950 e foram adaptadas para uma estética contemporânea voltada ao público infantil, informa a empresa.
O movimento também aparece na indústria calçadista. Durante a BFShow, uma das principais feiras do setor na América Latina, a Calçados Dyan apresentou uma linha infantil desenvolvida em parceria com o jogador Ronaldinho Gaúcho, reforçando a aposta das empresas no potencial de consumo das famílias durante o período do torneio.
fotos: divulgação (campanhas da PatBô e da Oriba)




