Fio de sisal de uso agrícola ficou fora da sobretaxa, enquanto demais produtos brasileiros enfrentam carga adicional de 37,5%

Entre tecidos, vestuário e outros produtos da cadeia têxtil brasileira exportados aos Estados Unidos, apenas um item escapou da nova sobretaxa americana, o chamado tarifaço. O cordel de sisal usado para amarrar fardos agrícolas foi a exceção em meio a uma nova barreira comercial que elevou para 37,5% a carga adicional incidente sobre praticamente todas as exportações do setor.
O levantamento dos dados de comércio exterior mostra que o cordel de sisal respondeu por US$12,1 milhões dos US$37,8 milhões exportados pela indústria têxtil brasileira aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026. Fora essa exceção, os demais produtos têxteis e vestuário passaram a enfrentar a nova tributação, somada às taxas já existentes. Desde o dia 22 de julho produtos brasileiros do setor têxtil e confecção devem pagar tarifaço de 25%. No dia seguinte, 23 de julho, o governo dos Estados Unidos acrescentou taxa de 12,5% com a justificativa de as empresas brasileiras usarem trabalho forçado.
Embora o mercado doméstico continue sendo a principal fonte de receita da indústria têxtil e de confecção brasileira, as exportações representam uma frente estratégica para empresas que buscam diversificar negócios e ampliar presença global.
ABIT DEFENDE REVISÃO
Para a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), a medida americana reduz a competitividade das empresas brasileiras e prejudica a integração comercial entre dois países que historicamente mantêm relações econômicas relevantes. “A Abit continuará trabalhando em estreita articulação com o Governo Federal, com entidades representativas da indústria norte-americana e com seus parceiros comerciais nos Estados Unidos para buscar a revisão dessas medidas e preservar uma relação comercial baseada em fatos, segurança jurídica, previsibilidade, respeito mútuo e benefícios compartilhados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”, diz nota da entidade enviada à imprensa.
A relação comercial entre os dois países também envolve um fluxo relevante no sentido contrário. No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou US$68,6 milhões em produtos têxteis dos Estados Unidos, sobretudo na forma de fios especiais, como os desenvolvidos para aplicações industriais e de alta segurança, e não-tecidos.
Os 5 principais produtos exportados para os EUA no 1º semestre de 2026
| PRODUTO | VALOR |
| Fios de sisal (Cordéis para atadeiras ou enfardadeiras, de sisal ou de outras fibras têxteis do gênero Agave) ->único na lista de exceção | US$12,18 milhões |
| Fitas de fibras sintéticas ou artificias | US$3,61 milhões |
| Outros produtos/artefatos, de materiais têxteis, para uso técnico | US$1,74 milhão |
| Meias femininas até e acima dos joelhos | US$1,69 milhão |
| Fios de outras fibras têxteis vegetais | US$1,62 milhão |





