Sinditêxtil-SP amplia agenda externa, como o projeto de jeans com ApexBrasil, e defende crédito outorgado de ICMS até 2032

A indústria têxtil paulista entrou no segundo semestre tentando preservar competitividade em meio a um cenário de desaceleração da produção e aumento das importações. De acordo com balanço do Sinditêxtil-SP, a recuperação do consumo em 2026 não chegou às fábricas paulistas. Entre janeiro e maio, a produção industrial do segmento têxtil de São Paulo recuou 1,4%, enquanto a confecção registrou queda de 8,3%. No mesmo período, porém, o varejo de vestuário no estado avançou 9%, evidenciando um descompasso entre a demanda que reagiu e não chegou à produção local.
O cenário é um pouco diferente para a indústria brasileira do setor. Pelos dados do balanço do Sinditêxtil-SP, a produção têxtil brasileira recuou 3,2% de janeiro a maio de 2026. A queda foi maior que em São Paulo. Conforme Luiz Arthur Pacheco, presidente da entidade, a produção de têxteis técnicos com aplicação em diferentes áreas segurou a queda em São Paulo.
Houve ainda uma recuperação pontual da produção em maio, considerada insuficiente para alterar a tendência de desaceleração observada no período, destaca Haroldo Silva, economista do Sinditêxtil-SP e da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção). Em vestuário foi o contrário.
Enquanto a produção nacional de roupas caiu 5,8%, a paulista enfrentou baixa de 8,3%. Silva atribui a redução ao fim da chamada taxa das blusinhas que incentivou as compras cross-border nas plataformas de ecommerce. Apenas no primeiro semestre, e sem incluir as compras em e-commerces estrangeiros, o volume de roupas importadas por São Paulo aumentou 30,3% em toneladas, observa Silva.
O faturamento do setor têxtil e de confecção de São Paulo foi de aproximadamente R$ 24,5 bilhões entre janeiro e maio de 2026. Volume representou queda nominal estimada de 4,37% em relação ao mesmo período de 2025.
Para o segundo semestre, a perspectiva é de cautela. Diante do avanço das importações, da incerteza tributária quanto ao ICMS e do tarifaço dos Estados Unidos, preservar participação de mercado já representará resultado positivo no ano, considera Pacheco.
JEANS DE EXPORTAÇÃO
Em relação ao mercado externo, a estratégia apoiada pelo Sinditêxtil-SP passa pela diversificação de destinos. A União Europeia desponta como mercado prioritário da iniciativa em função do acordo comercial com o Mercosul. Segundo Lilian Kaddissi, superintendente do Sinditêxtil-SP e da Abit, as entidades discutem com a ApexBrasil o desenvolvimento de um projeto para ampliar as exportações brasileiras de produtos acabados em jeans.
Ainda em definição, a expectativa é envolver de quatro a cinco grandes tecelagens de denim e entre seis e oito faccionistas de jeans. Para Lilian, o acordo Mercosul-UE representa uma oportunidade porque o jeans brasileiro apresenta competitividade em preço e qualidade, desde que não esteja sujeito a barreiras comerciais elevadas.
Essa agenda de exportações ganha relevância diante da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, incluindo vestuário. Embora os embarques para os Estados Unidos representem um volume relativamente pequeno, cerca de US$ 12 milhões no primeiro semestre, são compostos por produtos de valor agregado, como têxteis técnicos e vestuário especializado. O preço médio das exportações paulistas para o mercado americano alcança US$75,11 por quilo, acima da média de US$49,67 por quilo kg registrada nas vendas para outros países. Isso torna os Estados Unidos um cliente estratégico que não pode ser desprezado, assegura Haroldo Silva.
PRORROGAÇÃO DO CRÉDITO OUTROGADO
No mercado interno, a principal pauta da indústria paulista continua sendo a política tributária. O Sinditêxtil-SP defende prorrogar a validade do crédito outorgado de ICMS em São Paulo antes do encerramento em 31 de dezembro de 2026. A proposta é estender o incentivo até 2032, prazo estipulado para a conclusão da transição tributária no país.
De acordo com levantamento do sindicato, a concessão do benefício, em 2017, reverteu uma década de perda de participação de São Paulo para estados como Santa Catarina. Sem o incentivo, a participação de São Paulo no PIB do setor nacional caiu de 42,1% em 2007 para 29,1% em 2017. Em 2023, o dado mais recente do levantamento, o estado recuperou parte desse espaço, alcançando 33,2% de participação. Para a entidade, o crédito outorgado do ICMS-SP representa um instrumento para preservar a competitividade da produção paulista frente a outros estados.





