Relatório da NStech mostra avanço do crime na última milha pressionando os riscos para a logística da moda

O roubo de cargas voltou a ganhar relevância na agenda de risco da indústria da moda brasileira. Dados do relatório Mapa do Risco, elaborado pela NStech, empresa especializada em soluções de tecnologia e inteligência para transporte e gestão logística, mostram que os prejuízos com roubo de cargas de produtos têxteis cresceram 5,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Mais do que o avanço das perdas financeiras, o levantamento revela mudança importante no perfil do crime logístico. Se antes os ataques estavam concentrados em grandes rodovias, agora as quadrilhas ampliam a atuação para a chamada última milha em áreas urbanas. A mudança torna as frotas com cargas têxteis mais vulneráveis a roubo, pressionando diretamente a distribuição do varejo de vestuário, tanto de e-commerce como de reposição de lojas físicas, além das cargas têxteis em geral, aponta o levantamento da NStech.
MUDANÇA DE ALVO
De forma geral, o Mapa do Risco da NStech registra que na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o peso dos prejuízos por roubos em trechos urbanos mais que dobrou de tamanho no início de 2026. Saltou de 18,9% para 38,5%.
O levantamento mapeia 13 segmentos. E o roubo de cargas têxteis é o quarto de maior crescimento, depois de Cargas Fracionadas (36,6%), Medicamentos (22,3%) e Produtos Alimentícios (21,9%). Completam o mapa de risco, Cigarros, Eletrônicos, Higiene e Limpeza, Siderúrgico, Químico, Pneus, Defensivos Agrícolas, Bebidas e Eletrodomésticos.
Grandes corredores logísticos, rodovias como a BR-101, que atravessa o Brasil desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, e a BR-116, que sai do Ceará até o extremo do Rio Grande do Sul, também registraram altas expressivas de sinistros. Na BR-101 saiu de 5,3%, no primeiro trimestre de 2025, para 21,6% no primeiro trimestre de 2026. Para o mesmo período de comparação, os roubos de carga na BR-116 subiram de 5,4% para 13%.
Outro ponto destacado pelo levantamento é o fato de as quadrilhas visarem cargas avaliadas acima de R$1 milhão. Nada menos que 40,4% dos prejuízos financeiros se concentram nessa faixa. De outro lado, cargas de até R$100 mil representam 8,1% dos prejuízos financeiros provocados por roubo.
Conforme a NStech, o primeiro trimestre de 2026 consolidou o Rio de Janeiro como estado crítico. O prejuízo no estado saltou para 44%, ante 16,4% no primeiro trimestre de 2025. “São Paulo também cresceu de 23,6% para 28,1%, mas perdeu protagonismo, sendo ‘ultrapassado’ pelo Rio de Janeiro”, afirma o relatório do Mapa de Risco. Já os prejuízos na Bahia explodiram, passando de 0,7% no em 2025 para 9,2% no início de 2026.




