Setor projeta avanço de apenas 0,65% nas vendas de vestuário de maio a agosto, enquanto torneio impulsiona moda esportiva

O inverno mais intenso e a Copa do Mundo devem alterar o comportamento de consumo dos brasileiros em 2026 para moda. Dados divulgados pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) projetam a comercialização de 1,85 bilhão de peças entre maio e agosto deste ano. Volume representa alta de 0,65% em relação ao consumo no inverno de 2025, que não teve, porém, a influência da Copa do Mundo. Em faturamento, a expectativa é de movimentação de R$63,34 bilhões no período, crescimento nominal de 4,2% em relação aos R$60,79 bilhões registrados na estação passada.
A projeção indica que o setor vai operar com preços mais altos que os praticados no inverno passado, sem necessariamente vender mais peças. “O inverno no Brasil sempre representou um desafio para o planejamento do setor, por sermos um país predominantemente tropical, e as mudanças climáticas têm tornado esse cenário ainda mais imprevisível. Temperaturas acima da média ou ondas de calor fora de época impactam diretamente o desempenho das coleções de inverno e o comportamento de compra do consumidor”, opinou Fernando Pimentel diretor-superintendente da Abit em comunicado à imprensa.
Na avaliação da Abit, a alta estimada praticamente acompanha a inflação do período. E não eliminaria os desafios relacionados ao aumento dos custos de energia, combustíveis, logística e insumos, agravados pelo atual cenário geopolítico internacional e pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, destaca o comunicado.
VAREJO NA COPA
Para a ABVtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), a Copa do Mundo geralmente estimula as vendas do varejo de moda. Mas, aponta que o impacto não deverá ser uniforme entre todas as categorias. “Historicamente, há um redirecionamento do consumo para itens esportivos durante a Copa, o que pode gerar um desempenho desigual entre as categorias. Contudo, no contexto atual as condições se apresentam mais favoráveis ao varejo como um todo, especialmente pela realização dos jogos à noite, que reduz interrupções no funcionamento das lojas”, declarou em comunicado de imprensa, Edmundo Lima, diretor executivo da ABVtex.
O informe cita que, em 2025, o mercado de moda esportiva movimentou R$61,4 bilhões no Brasil, sendo cerca de R$20,5 bilhões provenientes de produtos relacionados ao futebol, como camisas, chuteiras, agasalhos e acessórios. Para 2026, a projeção é de crescimento de 1,2% no volume de peças vendidas. Mas com expectativa de retração de 2,7% especificamente durante os meses da Copa.
Isso porque enquanto itens esportivos costumam registrar aumento de demanda durante a Copa, outras linhas de vestuário podem apresentar comportamento menos promissor para vendas.
foto: divulgação Abit




